sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cantares

              Ouvir  a  sinfonia  secreta
              onde os suspiros da atmosfera
              desceram  à face  da Terra:

              memória  apara seu cântaro
              pleno  de estrelas  e deuses,
              demônios dormem na sombra.

             O  mesmo Verbo da noite
             adorna o sono dos  filhos,
             envolve  o rosto do  Hóspede
             enquanto  à mesa da ceia ____

            No  mundo   os  Homens   Renascem,
            abraçam os peixes e as  nuvens,
            partilham   o pão, comemoram:

           De novo os primeiros Três
           pairando  às face  das Águas.

Caudalócio

    E sigo: tango e Tabefe
    por estes céus de metano.
    Vida até suportável,
    não fossem tantos  automóveis
   berrando no chá das cinco,
   enquanto homens se matam
  por vinte gramas de pó.

  Ainda em beiras de  Mim _____ 
  mulheres órfãs
  tecendo redes na praia:
  
  jangadas  indo pra longe,
  mais tarde  voltando  Sós.

  Vento castiga  os óculos:

depois então vem dezembro
e o resto  vai para  o  Inferno.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Partida

      Quizomba Má na estação Leopoldina:
      de cambulhada vão-se embora meus braços,
      junto dos ombros do poeta
      que segue bêbado no bonde,
      indo  pras Picas
      e  pra canto  Nenhum.

      Chego pra tarde Seco:
      sem fumo, terço, araucárias.
      Cantiga sem beira agora.


     Morte virá depois,
     sacramentar a partida.
     Sem esculturas  nem flautas.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Outonos

       O coração numeroso anda em Silêncio.
       Procuro um rosto_____
       a luz que Oscila
       anda sem olhos a cidade inteira.
       E se acabaram os homens,
       já não cabe discutir as flores.

      Procuro   um rosto_____
      e dos espelhos  vejo terraços
      sobre oceanos, porém desertos_____
     a tempestade avança e das entranhas
     são galeões digeridos
     o que   Resta_____

    E não sou mais
    nem   Isto: visto os Outonos,
    desenredos  me   Existem.

Estudo

        Noite. Serão talvez onze horas,
        na janela do quarto
        imagem Curta nos olhos,
        nenhum Saltério nas retinas cansadas.

       Ninguém  falou que era a guerra,
       e que os jardins precisavam de água,
       descantarência Agressiva.

       Céu  de bronze por cima
       andando na cidade Inexplicável,
       os homens  Náufragos
       de  mais-Valia____

     são  barris de petróleo,
     ombro  Nenhum.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Estudo em forma de poema

               O rito secreto da chave.
               A palavra "Encontro" dilacera os suicidas,
               a cidade é inexplicável e há muito
               se acabaram os homens,
               transfeitos em barras de aço
               e barris de petróleo.

              Um último anjo apaga a lâmpada do Encanto,
              fecha a porta dos sentidos,
              em silêncio se esvai num mundo sem fé,
              deixando nos  edifícios
              gente ocupada em nascimento e morte.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Tarde

Tarde andando no céu.
Semeio todo um poema
na areia quente do deserto,
águas brotam da penha.

Disseco um demônio todo
no espaço-Cubo das horas.
Na mesma tábua de pedra
deitaram Isaque e o Hóspede,

mas era outra Repartição
que funcionava ali.

Andando no céu da tarde
relógios se derretendo conversam fartura e morte:
asas brotam dos pés
da noite agora mais Rente.