quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Visões de São Mármaro, nº 0

             Por onde livros não falam
             das guilhotinas da  Noite
             andam meus Gês  parecis____
             cruz nos olhos (embora)
             sobre  jardins de pianos.

             Passam cavalos de bronze.
             Levam nos dorsos
             as  virgens  brancas  de europa,
             por  sobre o busto   de Altair.

            Vão nuvens  tintas, vermelhas
            lançando cântaros sobre as estátuas de pedra,
            caravanas  de Hagar  descem dos raios
            sobre oceanos  imensos,
            terraços de azul  e de Sal.

           Espero  um sopro do Hóspede
           antes do último  Pássaro: depois  então
           meus braços  cairão do  Tempo.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Balangô

       Serafins choraram lágrimas de barro
       pelo retrato do Velho
      suspenso entre   dois  acordes.
      O  sorriso de  dentes  requentes
     esconde  cinco décadas  charutas.

     Após  foi coisa:
     Iná  querendo a  multiplicação dos seres,
     corpos  íncubos___

     Banzantinália
     na  madrugada  salobra,
    quase  Dezembro, os urubus:  tardes inteiras
    entre os girassóis.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cantares

              Ouvir  a  sinfonia  secreta
              onde os suspiros da atmosfera
              desceram  à face  da Terra:

              memória  apara seu cântaro
              pleno  de estrelas  e deuses,
              demônios dormem na sombra.

             O  mesmo Verbo da noite
             adorna o sono dos  filhos,
             envolve  o rosto do  Hóspede
             enquanto  à mesa da ceia ____

            No  mundo   os  Homens   Renascem,
            abraçam os peixes e as  nuvens,
            partilham   o pão, comemoram:

           De novo os primeiros Três
           pairando  às face  das Águas.

Caudalócio

    E sigo: tango e Tabefe
    por estes céus de metano.
    Vida até suportável,
    não fossem tantos  automóveis
   berrando no chá das cinco,
   enquanto homens se matam
  por vinte gramas de pó.

  Ainda em beiras de  Mim _____ 
  mulheres órfãs
  tecendo redes na praia:
  
  jangadas  indo pra longe,
  mais tarde  voltando  Sós.

  Vento castiga  os óculos:

depois então vem dezembro
e o resto  vai para  o  Inferno.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Partida

      Quizomba Má na estação Leopoldina:
      de cambulhada vão-se embora meus braços,
      junto dos ombros do poeta
      que segue bêbado no bonde,
      indo  pras Picas
      e  pra canto  Nenhum.

      Chego pra tarde Seco:
      sem fumo, terço, araucárias.
      Cantiga sem beira agora.


     Morte virá depois,
     sacramentar a partida.
     Sem esculturas  nem flautas.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Outonos

       O coração numeroso anda em Silêncio.
       Procuro um rosto_____
       a luz que Oscila
       anda sem olhos a cidade inteira.
       E se acabaram os homens,
       já não cabe discutir as flores.

      Procuro   um rosto_____
      e dos espelhos  vejo terraços
      sobre oceanos, porém desertos_____
     a tempestade avança e das entranhas
     são galeões digeridos
     o que   Resta_____

    E não sou mais
    nem   Isto: visto os Outonos,
    desenredos  me   Existem.

Estudo

        Noite. Serão talvez onze horas,
        na janela do quarto
        imagem Curta nos olhos,
        nenhum Saltério nas retinas cansadas.

       Ninguém  falou que era a guerra,
       e que os jardins precisavam de água,
       descantarência Agressiva.

       Céu  de bronze por cima
       andando na cidade Inexplicável,
       os homens  Náufragos
       de  mais-Valia____

     são  barris de petróleo,
     ombro  Nenhum.