Noite. Meus olhos sobem montanhas
até a janela do quarto, serafins chegam com sopros
do fim do mundo
três estátuas em pedra tangendo os cinco sentidos,
pianos sobre a Memória.
Desço até o mar
com as polaróides restantes
já não possuo boca pra chamar o Vento,
virei josés comportados
depois da última anistia______
lembrei que pus navalha no prego,
agora um grito de espanto
emparedado na garganta profunda.
Ninguém mais a falar nas guerras
e que Varsóvia massacrara isaques,
já não dava manchete. Mundo próximo a queda
chegando com unhas de tango
e braceletes de Cobra.
Mulheres de vidro preparam dilúvios
em caldeirões gigantescos,
com cinzas, corvos, petróleo
pernas de sapo, delfins______
Subo do mar, junto o Mundo:
mais sete cabeças dez chifres
arnês de bronze, brasões,
só resta mesmo pras rezas
tocar um tango argentino
depois de todos os relógios.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Homilia
Sobre os outonos que Existo
eu visto as pedras do mundo
em carnavália-Esperanto.
Meus olhos
desceram tanto nos infernos da Terra
que chamei Nome a todos os demônios
quando trombones sacudiram dos céus
saraiva e enxofre sobre o Orgulho dos homens,
depois o Tempo se desfez do elmo prateado,
relógios se derreteram pelas retinas
do catalão de alumínio:
o corvo torna aos braços da Existência.
Depois de tudo a Virgem branca aparece
aponta o rumo de Emaús,
destila o cântico do Hóspede.
Meus carnavais de Esperanto
acordarão pianos
de um mundo novo em casulo,
depois de o Tempo fugir
nas asas grandes de demônios verdes.
eu visto as pedras do mundo
em carnavália-Esperanto.
Meus olhos
desceram tanto nos infernos da Terra
que chamei Nome a todos os demônios
quando trombones sacudiram dos céus
saraiva e enxofre sobre o Orgulho dos homens,
depois o Tempo se desfez do elmo prateado,
relógios se derreteram pelas retinas
do catalão de alumínio:
o corvo torna aos braços da Existência.
Depois de tudo a Virgem branca aparece
aponta o rumo de Emaús,
destila o cântico do Hóspede.
Meus carnavais de Esperanto
acordarão pianos
de um mundo novo em casulo,
depois de o Tempo fugir
nas asas grandes de demônios verdes.
Mindincanto nº 2
Entonces
demais Tamanha
a cara da vida-Pressa?
Mas, vejam: depois dos noves de Fora
ainda um gosto de Muito
a gente amarra nas esquinas do Tempo,
quando de-Menos se pensa
e mais se deixa que a Vida
à vela Toda navegue.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Imagens(Para a amiga Liv Lagerblad)
Deste outro lado tem ventos
tem por do sol na janela,
os nichos da ordem e da desordem.
Tem Lautréamont tomando chope na Lapa
junto do Blaise Cendrars
que puxa um brinde com o braço
perdido em todas as guerras.
Deste outro lado tem flores
certeza amores na mente
mas tem demônios de olho
com dentes pernas bandeiras, brigitte à Solta,
não é sopa não.
Mas vem depois fevereiro
depois do agosto perturbando as pipas,
tem mestre André parando a avenida
e abrindo todas as bocas.
O soviete deu mole
perdeu cadeira na dança_________
os anjos de calça larga
estão de luto, choram baixinho
a sorte da oitava nota.
(Imagem: Composição surrealista, de Ismael Nery)
tem por do sol na janela,
os nichos da ordem e da desordem.
Tem Lautréamont tomando chope na Lapa
junto do Blaise Cendrars
que puxa um brinde com o braço
perdido em todas as guerras.
Deste outro lado tem flores
certeza amores na mente
mas tem demônios de olho
com dentes pernas bandeiras, brigitte à Solta,
não é sopa não.
Mas vem depois fevereiro
depois do agosto perturbando as pipas,
tem mestre André parando a avenida
e abrindo todas as bocas.
O soviete deu mole
perdeu cadeira na dança_________
os anjos de calça larga
estão de luto, choram baixinho
a sorte da oitava nota.
(Imagem: Composição surrealista, de Ismael Nery)
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Carvoeiros
Noite depois do rush.
Os menininhos carvoeiros de novo
sobre a cidade. Parecem os mesmos
do morro do Curvelo vistos por um poeta,
bota cem anos Nisso.
Não há mais burros descadeirados,
nem carvão escapando da aniagem
toda remendada. Mas são eles,
sem dúvida.
O sujo das caras tristes faz pas-de-deux
com as roupas rotas imundas, as mãos pequenas
rasgam caixas de papelão(serão vendidas depois)
em plena rua sete de setembro.
Estão descalços apesar do frio(é inverno), a roupa rota estronchada
apesar do Frio. Corpo há muito
sem banho. Um deles tem nem sete anos,
mastiga risonho um quibe
catado num lixo próximo(parece o bicho do pátio
catando a vida entre os detritos)_____
e nisso os outros que passam(eu você todo mundo)
cegueira Grossa, agressiva.
Os menininhos carvoeiros de novo
sobre a cidade. Parecem os mesmos
do morro do Curvelo vistos por um poeta,
bota cem anos Nisso.
Não há mais burros descadeirados,
nem carvão escapando da aniagem
toda remendada. Mas são eles,
sem dúvida.
O sujo das caras tristes faz pas-de-deux
com as roupas rotas imundas, as mãos pequenas
rasgam caixas de papelão(serão vendidas depois)
em plena rua sete de setembro.
Estão descalços apesar do frio(é inverno), a roupa rota estronchada
apesar do Frio. Corpo há muito
sem banho. Um deles tem nem sete anos,
mastiga risonho um quibe
catado num lixo próximo(parece o bicho do pátio
catando a vida entre os detritos)_____
e nisso os outros que passam(eu você todo mundo)
cegueira Grossa, agressiva.
São Jorge
Praça de Sulacap,
no vulgo, só macumbódromo.
Cacimbas e barnabés
cambonam santo guerreiro
quizomba samba de roda
odorações, reverências____
Abril xerém pare Festa,
ogum magé vinte e três
festália Ilé,
Canembê!!
no vulgo, só macumbódromo.
Cacimbas e barnabés
cambonam santo guerreiro
quizomba samba de roda
odorações, reverências____
Abril xerém pare Festa,
ogum magé vinte e três
festália Ilé,
Canembê!!
sábado, 2 de julho de 2011
Visões de São Mármaro, nº 1(Para o Augusto Guimaraens Cavalcanti)
O anjo da guarda
desperta da canção primitiva
sobre o berço azul____mundo nasce
e a glória da Virgem
atrai demônios pro Esquecimento
depois da primeira estrela aparecer na pérsia.
Repousam formas veladas
na rua agora deserta
até que o pássaro acorde
e as caravanas de Hagar
nos levem sobre o deserto
nosso dorso de pérola______
Não fique do grande Templo
tijolo sobre tijolo
no quarto dependurado
sobre os cordéis da Memória.
desperta da canção primitiva
sobre o berço azul____mundo nasce
e a glória da Virgem
atrai demônios pro Esquecimento
depois da primeira estrela aparecer na pérsia.
Repousam formas veladas
na rua agora deserta
até que o pássaro acorde
e as caravanas de Hagar
nos levem sobre o deserto
nosso dorso de pérola______
Não fique do grande Templo
tijolo sobre tijolo
no quarto dependurado
sobre os cordéis da Memória.
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