sexta-feira, 29 de julho de 2011

Duas Águias

Noite. Meus olhos sobem montanhas
até a janela do quarto, serafins chegam com sopros
do fim do mundo
três estátuas em pedra tangendo os cinco sentidos,
pianos  sobre a Memória.

Desço até o mar
com as polaróides  restantes
já não possuo boca pra chamar o  Vento,
virei josés comportados
depois da última anistia______
lembrei que pus navalha no prego,
agora um grito de espanto
emparedado na garganta profunda.

Ninguém mais a falar nas guerras
e que Varsóvia  massacrara isaques,
já não dava manchete. Mundo próximo a queda
chegando com unhas de tango
e braceletes de  Cobra.

Mulheres de vidro  preparam  dilúvios
em caldeirões gigantescos,
com cinzas, corvos, petróleo
pernas de sapo, delfins______

Subo do mar, junto o  Mundo:
mais sete cabeças dez chifres
arnês de bronze, brasões,
só resta mesmo pras rezas
tocar um tango argentino
depois de todos os relógios.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Homilia

Sobre os outonos que Existo
eu visto as pedras do  mundo
em carnavália-Esperanto.

Meus olhos
desceram tanto nos infernos da Terra
que chamei  Nome  a todos os demônios
quando  trombones sacudiram dos céus
saraiva e enxofre  sobre o Orgulho dos homens,
depois  o Tempo  se desfez  do elmo prateado,
relógios se derreteram pelas retinas
do catalão de alumínio:
o corvo torna aos braços da Existência.

Depois de tudo a Virgem branca aparece
aponta  o rumo de Emaús,
destila o cântico do Hóspede.

Meus carnavais de  Esperanto
acordarão  pianos
de um mundo novo em casulo,
depois de o Tempo fugir
nas asas grandes de demônios  verdes.

Mindincanto nº 2


Entonces
demais  Tamanha
a cara da  vida-Pressa?
Mas, vejam: depois dos noves de Fora
ainda um gosto de Muito
a gente amarra  nas esquinas do Tempo,
quando  de-Menos  se pensa
e mais se deixa que a Vida
à  vela Toda  navegue.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Imagens(Para a amiga Liv Lagerblad)

Deste  outro  lado  tem ventos
tem por do sol  na janela,
os nichos da ordem e da desordem.
Tem  Lautréamont  tomando chope  na Lapa
junto do Blaise Cendrars
que puxa um brinde  com o braço
perdido em todas as guerras.

Deste outro lado  tem flores
certeza amores na mente

mas  tem demônios   de olho
com dentes pernas bandeiras, brigitte  à  Solta,
não é sopa  não.

Mas vem depois fevereiro
 depois do agosto perturbando as pipas,
tem mestre  André  parando  a avenida
e abrindo todas  as bocas.

O soviete deu mole
perdeu cadeira na dança_________
os anjos de calça  larga
estão de luto, choram baixinho
a sorte da oitava nota.
(Imagem: Composição surrealista, de Ismael Nery)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Carvoeiros

Noite depois do rush.
Os menininhos carvoeiros de novo
sobre  a  cidade. Parecem os mesmos
do morro do Curvelo vistos por um poeta,
bota cem anos  Nisso.

Não  há mais burros descadeirados,
nem carvão  escapando da aniagem
toda remendada. Mas são eles,
sem dúvida.

O sujo das caras tristes faz  pas-de-deux
com as roupas rotas imundas, as mãos pequenas
rasgam caixas  de papelão(serão vendidas depois)
em plena rua sete de setembro.

Estão descalços apesar do frio(é inverno), a roupa  rota estronchada
apesar do Frio. Corpo há muito
sem banho. Um deles tem nem sete anos,
mastiga  risonho  um quibe
catado num lixo próximo(parece o bicho  do pátio
catando  a vida entre os detritos)_____

e nisso  os  outros que passam(eu você todo mundo)
cegueira  Grossa, agressiva.

São Jorge

Praça de Sulacap,
no vulgo, só macumbódromo.
Cacimbas e barnabés
cambonam  santo guerreiro
quizomba samba de roda
odorações, reverências____
Abril xerém pare   Festa,
ogum magé  vinte e três
festália   Ilé,
Canembê!!

sábado, 2 de julho de 2011

Visões de São Mármaro, nº 1(Para o Augusto Guimaraens Cavalcanti)

O anjo da guarda
desperta da canção primitiva
sobre o berço azul____mundo nasce
e a glória da Virgem
atrai  demônios  pro  Esquecimento
depois da primeira estrela aparecer na  pérsia.

Repousam  formas  veladas
na rua agora deserta
até que o pássaro acorde
e as caravanas de Hagar
nos levem  sobre o deserto
nosso dorso de pérola______

Não  fique  do grande  Templo
tijolo sobre tijolo
no quarto dependurado
sobre os cordéis  da Memória.