quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Festim

Hoje, véspera
do padroeiro  da cidade.
Chuva  com mais  tentáculos
cada  verão  que passa. Janeiro   ,
guaçú  de  tez  descabida
os  lábios   Ontem, 
de   Inúteis.

Pelas campinas  de  Mim
passam   xeréns  de titânio,
assobiam  furiosos
o  trenzinho  do caipira.
Jaburus  ajuntam  no asfalto  adedanhas
dum sempre  nada-Ninguém....

Hoje  mais  tenebrice______
a  charqueada  atravessa
a caratonha  da miséria  nacional:
Ogum-maré  avisa  crime,
mostra  as cuecas  do apóstolo __
os dólares claro__amarfanhados
junto  do cu.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Amendoeira(Para os sete novos)

Na sombra da amendoeira  a tarde,
e tantos  brilhos  vidrilhos
em  Maria  da Graça.


A trinca dos sete  e eu:
calderetas  enxugando  chope
enquanto  sol descabela

Destilo  imagens  carraras
junto da carne  seca,
mas  foi nas fontes  de Juiz de Fora
que pus  furdunço e medalha,
transposto  o pássaro
o fogo  e a estátua de pedra.

Por fim guampei  girassóis
trancei  batina, fagote
no  jongo  Ilê-Juremá____
serralha, caldo de gato
mais três martelos  Pitú
tirado  o tasco
do santo.

Na sombra  da amendoeira
a trinca dos sete  mais  eu
são  quatro  chamando  chope
no esboço da noite  Rente 

E o mundão  véio, Certeza____
pode esperar   lá  fora.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Epifania

Eu  visto  as pedras  do  mundo
nos  outonos em  que  Existo.

A  Virgem  Branca  aparece nos campos,
aponta  o rumo  de Emaús,
destila  o cântico  do  Hóspede.

Meus  carnavais  de Esperanto
acordarão  pianos
de um  mundo  novo  em casulo,
depois  de o  Tempo  fugir
nas  asas  de grão-demônios
armados com souzafones.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Instante

Pedra  fala de  Si
do que mais próximo
às eternidades-Minério
por onde  ventos  mais  Sônicos
andam  vestindo   Sombrância:

Inexistir-Se   ele   o  Som
onde  os  ouvidos
não  foram  Rosto, Presença...

domingo, 11 de dezembro de 2011

Casmurro

Cruzando a treze de maio
numa manhã de chuva.
O largo da carioca
brinca de formigueiro
gordas  rainhas   mutucam
nas janelas do  BNDES
vendendo as almas dos índios
em secretos leilões_____como cantara   o Renato
desde  Brasília  olerê.

Mas desque foi  Mundo  o mundo
que este  país
é isso  que o senhor está vendo,
e vem de longe  alentejo
o fa(R)do escrito  com  Sangue:

Donatários  rombudos
cujas  mulheres compram  uísque
com a receita  da merenda  nacionar
enquanto  ogum pare  galo
pare  vassalo  a miséria
pare  xerém  pare  crime:

O salvador  não nasceu
embora  galo  se  Esgoele:
mostrando  ebó  de candonga
desse povão  crestado  em cardo  e  Solanca.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Noticiário

Na cidade do Rio
todo o mundo  Azul
menos os náufragos do poder público,
"que é tão difícil ajudar ".
Meninos carvoeiros passam
com suas caixas de papelão
e seus futuros  Descadeirados.

Coronéis descem na escada
do novo  municipal
ouvindo cellos e trompas,
mais transportados  que nunca.

A  mocidade se acaba
mas as estrelas  não.
Minha cachaça  Persiste
em desabar  catedrais
vestindo  Alês de taioba.

Nos subúrbios da leopoldina
inda se enterra gente à pé
debaixo dos teleféricos
na rua bariri  o campeão brasileiro de futebol
da série "C" em 1981
Resiste, a grã-piscina
tinindo.

E com esse calor, hein?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Valsa de Esquina(Para o Ricardo Chacal)

Manhã.
Relógios  Torcidos espalhados
na vastidão da planura
onde pasteja  um cavalo  roxo
sob  um sol  longínquo.
A  gente  não vê no céu
os elefantes de santo  antonio.

Nuvens  poucas
andam  de bicicleta,
o  velho  Ferges  leva  um rebanho de tubas
às margens  do igarapé.

Num canto  do paraíso
são  francisco  planta  mandioca,
são  raul  manda  um-dois.

Lá  embaixo  nos Quintos
forrobode da gota
banda  toca  um dobrado
o demo
acende  o charuto  com um dedo torto,
tapete  Aceso e estendido:

_____Vai  receber  a ilha de Manhattan.