segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Soneto à mó de Cabum(Versão soneto inglês, nº 56)

Eu existo pra ver o Fim dessa baiúca que 
chamam de Mundo, quando as estrelas e a Virgem
chutarem os homens de seus pretensos altares,
de suas panóplias Descaralhadas:

Preciso ver Sarravulho nos furamburos
desses mulambos que se acham Coisa,
ver  Madalena Maria, que teve o Nome
jogado em fosso niceno,

as obras do Aleijadinho julgando todos
os homens, corais Imensos no céu
regidos por Jaime Ovalle, ver  riobaldos  jarins,
grandes pequenos indo pra UM de dois mundos____

de um lado as bodas do Hóspede, do outro
os Quizabruns dos infernos. Visto de ida, e CABUM !


Poema sobre os Muros do Século(Versão soneto inglês, nº 55)

E são carnésias, Espaços, estrada em que
folgadamente uns atabaques de Outubro
andam dez pássaros na direção
onde o Capão do Bispo destila escravos

que morrem Nunca, embora a Voz do Brasil
siga o discurso do rei contrário a toda
Memória, isso porque Paris valia mesmo
dez missas, e eram  "razões de Estado".

Geraldo Erê Viramundo olha o dragão nas areias
dela Ipanema onde andam ilhas do
doutor Moreau nas redes de futevôlei,
não vendo os fogos do Abismo, ali Rente.

Meu povo, que te fiz Eu, que te fiz Eu
meu povo meu povo, que te fiz Eu??
(Imagem:  Julie Heffernan)

Canção da Manhã

Entre certo  junho  e outro  setembro
mercadores chegam   à  porta  da cidade,
ao canto  do primeiro  pássaro.

Sol  desfaz do  Neguev
manto da neve dormida,
posso  lavar  meu rosto
enquanto  a governanta  prepara  o café,
mesma  água
Irá buscar  beija-flores  no  bosque  em frente,
concede-nos  Senhor  a paz de Simeão
entre  setembro  e entre  junho
e nossas  contas  a esperar  na sala.

Entre  certo  junho e outro  setembro
me sento  à mesa do café,
com duas espadas no bolso. Recordo os filhos do trovão,
sorriem apenas meus olhos:
em Londres neste  momento
o parlamento  estuda sanções
contra  africanos e árabes, imigrantes  presos
por terem  fome e sede de Justiça.

Rogai  por  nós  Virgem Santa
rogai  por  nós  Pecadores
pois  consumimos  petróleo  em nossas mesas de almoço
e  danificamos  o azeite  e o vinho,  chamando  Nosso
todo  o inventário  do Demônio,
e há quinze  instantes morremos
pela  palavra e por  água.

Deus  disse: São estes ossos  caídos
que  hão de vir  pelas esquinas  do  Eufrates?
Então  retornaram  os  Ventos
para dentro  do profeta
que terminou  seu café.

Num certo  junho,
noutro  setembro.
( Iris, de Vincent Van Gogh. Foi pintado apenas um ano antes de sua morte, em 1890)

domingo, 18 de agosto de 2013

Soneto Inglês, nº 54(Pro meu irmão Allan Souza)

Manhã domingo haaaja Cedo
na sumidão do relógio que
nem dez horas Avisa. Leseira boa___
ela Chuva pelas janelas, lá fora

desce os braços das  árvores,
entrando na gente pelos ouvidos
sem dá-Licença. Pra completança
de-Arruda ali perto  um sabiá

Cantarola, lavando num momentó meus velórios
junto do agueiro, e num repente delírio
brincando Encanto nos sulcos marcas
do rosto onde ela vida Bateu.

Gente assim num secundório Tanto
um girassol do tamanhão do Mundo.

sábado, 17 de agosto de 2013

Cantiguinha(Versão soneto inglês, nº 53)

Queria do mar as ondas de traz-Infância:
Aquelas que sopram veludo
sobre teus pés, dos ventos um cicio em Flauta
a te encantar de carícias.

Queria a verve em laranja
dos sabiás cantadores
pra te acordar quando as manhãs
subissem o alto de teus olhos escuros

e então sorrisses... queria  as chuvas também
que choram Vida sobre  os terraços
do Encanto, onde Morena governas
meu poemário, e te diria outra vez:

Que andei mil léguas de Mundo pra me perder
ao te Encontrar nesta  vida...

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Manhã(Versão soneto inglês, nº 52)

Tons de rubro descem a copa das árvores,
alguém sopra as últimas estrelas:
Manhã se veste de azul, 
primeiros pássaros: Oboés.

No céu por cima da gente
poucas nuvens andam de bicicleta,
trombones hoje de folga. Girassóis
retomam a dança interrompida.

Um último anjo noturno
recolhe as asas, boceja: Vento responde
nas folhas, a linha do horizonte
abraça a vida que inda não Sabes.

Olho teu corpo dormindo, sorrio:
Tempo de semear pianos pelos jardins.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Paisagem Cânha, nº 4

Manhã seis horas Jacarepaguá.
Na geremário óia o sino do Zaccaria
chamando quirieleissão.
Gente prepara o rush
junto do pão, do café. Dia mais um____

Suçuarana que nem
minino entrás de pipa voada.
Pelos varais das retinas
jagunçam braços homões
num aboio a Vida
em carreirão desembêsto
coisa fabungo trem.

Só lá
pras cinco da tarde Luxeio____
se pensa a morte da bezerra.