quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Paisagem Cânha, nº 5(Para o amigo André Pessôa)

A tarde. Num centro véio do Rio,
o ossário Todo
em frente ao prédio
dos hômi verde, portal de entrada
nos Quintos  - e muita gente
beijou Caronte lá dentro(num tempo
nem tão distante, que o digam
seu Rubens Paiva, e mais Cem).

Mais  adelante

uns roncós
do Estado-Corno  chanfalhando o povéu,
matando um monte de Amarildos nos morros_____
depois Verdade se azula, batendo a porta  -
Escandalizadíssima.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Poslúdio(Soneto Inglês, nº 57 - Para minha irmã Laura Pires, em seu aniversário)

Mundo, por tuas praças retintas passam mercês
vestidas em quarta-feira, seguindo um Luto
após a morte das flores. Desandam pontes
sobre céus já saturados pelos edifícios.

Segue apagada a lamparina do Encanto
nos anjos mortos desde o grande Crepúsculo
já tênue nos baroléus da Memória, onde
 repousa Emaús em velha estrada Emboaba.

Coelhos dançam num sânscrito o calabouço
de cinco taças, Caronte espreita detrás
de espelhos presos nos olhos, túneis mais Nunca
dando canções da Manhã, sem mares

intermináveis um Dia. Águias recolhem os homens
das horas Findas, a Virgem apaga as últimas árvores.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Soneto à mó de Cabum(Versão soneto inglês, nº 56)

Eu existo pra ver o Fim dessa baiúca que 
chamam de Mundo, quando as estrelas e a Virgem
chutarem os homens de seus pretensos altares,
de suas panóplias Descaralhadas:

Preciso ver Sarravulho nos furamburos
desses mulambos que se acham Coisa,
ver  Madalena Maria, que teve o Nome
jogado em fosso niceno,

as obras do Aleijadinho julgando todos
os homens, corais Imensos no céu
regidos por Jaime Ovalle, ver  riobaldos  jarins,
grandes pequenos indo pra UM de dois mundos____

de um lado as bodas do Hóspede, do outro
os Quizabruns dos infernos. Visto de ida, e CABUM !


Poema sobre os Muros do Século(Versão soneto inglês, nº 55)

E são carnésias, Espaços, estrada em que
folgadamente uns atabaques de Outubro
andam dez pássaros na direção
onde o Capão do Bispo destila escravos

que morrem Nunca, embora a Voz do Brasil
siga o discurso do rei contrário a toda
Memória, isso porque Paris valia mesmo
dez missas, e eram  "razões de Estado".

Geraldo Erê Viramundo olha o dragão nas areias
dela Ipanema onde andam ilhas do
doutor Moreau nas redes de futevôlei,
não vendo os fogos do Abismo, ali Rente.

Meu povo, que te fiz Eu, que te fiz Eu
meu povo meu povo, que te fiz Eu??
(Imagem:  Julie Heffernan)

Canção da Manhã

Entre certo  junho  e outro  setembro
mercadores chegam   à  porta  da cidade,
ao canto  do primeiro  pássaro.

Sol  desfaz do  Neguev
manto da neve dormida,
posso  lavar  meu rosto
enquanto  a governanta  prepara  o café,
mesma  água
Irá buscar  beija-flores  no  bosque  em frente,
concede-nos  Senhor  a paz de Simeão
entre  setembro  e entre  junho
e nossas  contas  a esperar  na sala.

Entre  certo  junho e outro  setembro
me sento  à mesa do café,
com duas espadas no bolso. Recordo os filhos do trovão,
sorriem apenas meus olhos:
em Londres neste  momento
o parlamento  estuda sanções
contra  africanos e árabes, imigrantes  presos
por terem  fome e sede de Justiça.

Rogai  por  nós  Virgem Santa
rogai  por  nós  Pecadores
pois  consumimos  petróleo  em nossas mesas de almoço
e  danificamos  o azeite  e o vinho,  chamando  Nosso
todo  o inventário  do Demônio,
e há quinze  instantes morremos
pela  palavra e por  água.

Deus  disse: São estes ossos  caídos
que  hão de vir  pelas esquinas  do  Eufrates?
Então  retornaram  os  Ventos
para dentro  do profeta
que terminou  seu café.

Num certo  junho,
noutro  setembro.
( Iris, de Vincent Van Gogh. Foi pintado apenas um ano antes de sua morte, em 1890)

domingo, 18 de agosto de 2013

Soneto Inglês, nº 54(Pro meu irmão Allan Souza)

Manhã domingo haaaja Cedo
na sumidão do relógio que
nem dez horas Avisa. Leseira boa___
ela Chuva pelas janelas, lá fora

desce os braços das  árvores,
entrando na gente pelos ouvidos
sem dá-Licença. Pra completança
de-Arruda ali perto  um sabiá

Cantarola, lavando num momentó meus velórios
junto do agueiro, e num repente delírio
brincando Encanto nos sulcos marcas
do rosto onde ela vida Bateu.

Gente assim num secundório Tanto
um girassol do tamanhão do Mundo.

sábado, 17 de agosto de 2013

Cantiguinha(Versão soneto inglês, nº 53)

Queria do mar as ondas de traz-Infância:
Aquelas que sopram veludo
sobre teus pés, dos ventos um cicio em Flauta
a te encantar de carícias.

Queria a verve em laranja
dos sabiás cantadores
pra te acordar quando as manhãs
subissem o alto de teus olhos escuros

e então sorrisses... queria  as chuvas também
que choram Vida sobre  os terraços
do Encanto, onde Morena governas
meu poemário, e te diria outra vez:

Que andei mil léguas de Mundo pra me perder
ao te Encontrar nesta  vida...