sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Crônica: Bento Ribeiro - RJ, setembro de 1953(Pra minha irmã Laura Pires)

Simbora  falar: Causo à mó ver
menina de treze anos tocando os
ainda não muito  seios  e na janela
um demônio soprando espelhos
nos olhos dela  depois
eu conto o bode que Deu

enquanto  os Três  pressentem a mulher madura
naqueles  olhos e neles quase  dois  seios  que
na mesma  rua  Jandiniro  Aparício também nos treze vai
buscar  na punheta  essa  menina o pensamento pensando
que a punheta é certo  ver  espinhas  na cara

Os  Três  prevendo também  -
quando ela  em frente  do espelho 
pensando os seios que talvez chegança
e a festa dos quinze anos  -

for  a bruaca  madura de rosto  sem jardinagem
num cemitério velório mais quatro filhos chorando o
Jandiniro obeso  que morreu  'nfartado.


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Serenade(À memória de Glenn Miller - escrito no Santo Scenarium, rua do Lavradio, centro - RJ, em 11/09/2013, ouvindo uma big band de bolso tocar "Moonlight Serenade")

Não fosse
teu som Lunário  entrando  à força nas Cinco Salas  -
como a  Folia no iridó das Geraes  -
em nesse bar onde me esqueço à vida

meu pranto era talvez coisenorme
muito mais cérbero que as três cabeças
já ladrerentes nos condôs
iriMim....

Viva  tu donde estejas, Glenn-Serenade
Miller dos anzóis pereira....

Cantiguê Tristirim

Vida.
Nas ondas que marejou
dez tantos, de cem
Saudades.
Corridos lúnio, solstício___
daronde o mar me Morria,
encôche
de trás-o-Tempo.

Nascido: Signo táureo, porém de sumo:
Potoca. O  Méier, isso  certeza, merece, e
já viu macheza
milhó.

Mulher em flor não vi não
no tempo de zé-Minino
enquanto que os outros zés
numericavamxibiusnosvestiáriosdasaulasdeeducaçãofísica
e  Mor mangavam de mim. Gastura gastura  Quanta (!),
itabirana  -  de Ferro ___

me vi chimango  de Nunca
desque mirim.

Dispois vivi (vivi?)
no igrejo roncó
batendo palma pra maluco
temendo o forno do inferno
enquanto apóstolos
' nfiavam dólar no cu.

Visti batina à Calvino
enquanto vida me rancava o couro,
relei nos trinta assim virgím, virgím

fulgêncio em Nada
dotô de Nada, pimpão
de nem  Pisurubas, merdúrio-mor
sim senhores 

vida bateu
Botocuda, brutanimária
daronde  NADA
' ssa  sonhêra  que insiste
pra chumbulência dispois, isso bem desque
faz Muito. Trocadejando,
ói resumo___

vida: Nas ondas
que marejou
dez tantos de cem Saudades. Fugidos
lúnio, solstício, encôche
de trás-o -Tempo.

ERA  onde o mar me Morria.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Ábaco(Versão soneto inglês, nº 58 - À memória de Mário de Sá-Carneiro)

Às vagas de um não conter-Me  -
imensas, fartas, tão... Diluviais  -
Avulta agora um lembrar de quanto pode
em seus arnês-Deserto a lua Negra,

e seus dragões  subsequentes...
Erguer-se  a brisa sem tugirem folhas...
pairar de abelhas  onde  NÃO  as  flores...
e tudo em roda a primavera  Jacinta___

como se o Ferro dessas  nuvens: assim
vivente desque  Mundo esse mundo  -
meus passos seguem xeréns desconformes
orixás descalçados de benguês, Monções___

pra trás  -  cores sóis, aguaçais, a Vida 
agora  -  sombras, noitidão  Infinda.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Agosto(ou Elegia Cragoatenta)


Trocentas, e mais saudades. Há muito um cós desandô
des-zabelê  juriti ver dentes maus
Suçuarana,  quê
viola  Quebrada, o quarto Roto
rés cabrocha mais  Nunca,
os japurás  dos espelhos
 Desconformência___

inás  Jacintas desque  boitempo
 mundo sem Passaredo....

morrentes  dez ' carnações
daronde  Agosto
erês  de Mim  nos Escuros....


Dodecaedro(Para a amiga Lucinha Ramos)

Poesia, coisa cotó
mal-Segura. 
Porém bucéfalos pégasos ômicles belerofontes,
albinelefantes. Transponderentes.

E sobretudo o sol, de miricores
Vestido. Sem nem ciência
nem trêta. Por isso há que se  escrever
inda que nu de docências,
e apesar delas.

É mesmo bestage grossa
a gente se amofinência
por causo dela Palavra? Seja.

Mas seja também, rapazes,
aquilo capitão Rodrigo
dizente ao velho  Amaral
"mas fico. Mas fico. Mas Fico".

Pra isso niente cabrália
nem valhamão catecismo
nem cagação padrenóstia de cambulhada livro de receitas
nem ripolices, achaques  -  nem mesmo os meus  -  ói só:
se comem  "uns", é boca-livre pra comerem cem,
mais cem mais cem mais cem mais cem 
Mil____

coisa cotó mal-Segura,
amofinência, falácia,
blá. Luta mais vã
lutar com palavras, ' ticetrital. Porém

bucéfalos pégasos belerofontes,
albinelefantes. Um nada, tá. Mas tarambéééém
 bota aí que cem  Tudos,
ver ao Quadrado.

sábado, 7 de setembro de 2013

Mulher de branco mostrando as costas(Inspirado na pintura "Mulher", de Eduardo Arguelles, exposta no bistrô da livraria Prefácio, Botafogo-RJ. Para a amiga Ana B.)

Azuis respiram sinos cochambrando Sempres
onde terraços nos ares,
nuvens chovem pra Cima.

Ela bulhó Legião, todos os sonhos
do Mundo. E girassóis,
azuis num súbito Encanto,
farfalhéus edifícios 
em caiporas
de sapatilhas pela névoa do quarto.

As costas sabem Universo
que se delira em escala
degraus acima enquanto anjos canhotos
desligam máquinas de asfalto.

Deixar que siga dançando
o  Sono,
lençóis de nuvens
carinhando o  quarto.