terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Salmo(Pro Tavinho Paes)

Água___
brôtas da rocha,
força viva da Terra. Leva nos lábios
serpentes, adagas, ranchas de prata
barenguês  monções,
serafins de seis olhos.

O casamento do céu
com a própria terra  -  Semente  -
porque assinado por água: único barro possível
para a escultura do Homem
e mais de toda a Geral  -  bulhó cantiga
caterê  Missária

isso apesar de pernalta  -  e Cérbera  -
a malta dos brejexús, 'rotando cinza e ciência

e que insiste no parlató
de que os Três
nada tiveram com o peixe.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Cantiga Onézhia

De encilho ibó mais Escuro
é fato: nos aparecem, mais Vida,
assombrações, carranquícies
quanto mais reza se faça, malunga,
nos oratórios____

pra mode exemplo:
'ssa infalência de ver zé-Povo
metido  -  sempre(!)  -  em desnovelos Jacintos
nos malezentos dos trens,
má ciranda japeri gramacha ....

empós-Açú meu cansaço
em ver perobas( de-Sempre )
no focinhê dessa malta  -
prefeitins, governentes  -  chuviriscaldos 
de marré-Bostício____

encilho  ibó, mais  Escuro,
zabelês desossados:
ver  plenilúnio
de lobisomens tarados.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Missário(Pro meu amigo Túlio Villaça)

                                  I - INTRÓITO RÚIM

No bôrdo  onde em cantares
os últimos urucungos, bento que bento era deus-Frade
na boca de todo mundo____

mas revestrés malazário
deu quixabã na quebradeira da praia,
jangadê mais Deserto
de bentochicoferreira....

 Quampérios rezaram dores
como se Ismália de novo em parto -
zabelês guardados prum qualquer futuro
foram-se em lúnio de Escuros,
agora que morta  Inês:
órfãos os bois  Parintins
de povo em mor-Saculêjo....


                                      II - KYRIE SOCÓ

Túlio meu velho eu quisera
ser mamulengo clarício
pra todo mundo me Saber sem  Cartilha____
mas sou cavalo de oxuns
nublariscentes em socós  Cinzudos....

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Acontecência(Versão soneto inglês, nº 75)

Serão seis horas da tarde,
eu vim pro mundo no Méier: Girão mais léu
quixadá, tanta perna de bonde
adormecida sob a vinte e quatro de maio.

Ficaram rastros de Minas
nos olhos do avô tropeiro, há muito um quadro
na parede  humilde. Os abricós baticuns
chegaram junto das brejas e o butiquim

foi no quintal de casa____ ninguém não vendo
suas vidas um dia mais  Curtas e os militares
ainda com dedo torto pintando ebós
e o diabo____ que, então seis horas da tarde

vim pro mundo no Méier. AINDA sóis nasceriam
com flores  azuis no céu.

Sonetrôncheo(Desentranhado a partir do poema "Balada Trônchea". Soneto Inglês, nº 74)

Muita vez noite alta
há estrelas em excesso
quando se morre,
fim retrós-Descabraque:

daqui mais dúrias de Tempo
estarei morto. Os pássaros
xeréns de pedra-sabão
cantando nos meus duzentos Ofícios.

Espelhos não mais  Serão
mostrando o choro de minha mãe
nas alterosas de meus olhos sômbreos,
flor de todas as noites____

terra aplaude meu corpo
liberto enfim: alma Extinta.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ordo(Soneto Inglês, nº 73)

Água: pássaro líquido
dentro do copo. Quando entardeço
me Chovo, pleno das cãs
talvez Sementes um dia.

Onde ela ausência Lavrária
é sempre Cinza, apesar
das árvores azuis no céu
que os olhos teimam cantar.

E de Anoiteço um buquê
quando me cântaro em Toré no espelho:
o branco na fechadura
é também neve nos horizontes, brumário o Sono

em torrente  -  morte sim Nascitura
pra Côbro, nos sopros-Fim.