segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Poemino(Aos amigos/irmãos Fernando Portugal e Allan Souza)

Esta roseira, em Pé
como um vigia entre as colunas da Noite
manduca* de não sei Onde
odores mágicos:
Esperanças brincam de roda
como se nunca houvessem morrido
dentro dos homens, e tudo Fosse,
de novo o chão
por onde os pássaros  voam

Fosse o leiteiro, assassinado Nunca,*
e Juscelino e Tancredo em nossas retinas
sem Borras de tragédia e lágrima,
fossem os  índios  no Maracanã
de cara  Odara e libertos
dos mutuíns do capeta e 
da  politicagem, se isso a roseira  me desse
eu pediria, Refestança no rosto,
tez-Infância no peito.... mas fica
a dança que É, toré de seiva
iluminada pra calar meu pranto:

esta roseira em Pé
sacode pra longe ogros e demais sustos
dos braços da noite, a paz mais solta,
odorante, entrando firme, Posseira
nas Cinco Salas da gente.

                                 *(Ver poema "Morte do leiteiro", de Carlos Drummond de Andrade)
                                 *Manducar = Trazer(Dicionário Adirônico)









sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Anamorfose(Pra minha irmã Laura Pires. E pra Fatine Oliveira)

                                       "____Debruçado à varanda/que enxergas no horizonte?                                                                              

                                       ____Órfãos, loucos, aleijados/em carros tintos de sangue,                                                                          cegos guiados por cegos.

                                       ____Que enxergas mais no horizonte?

                                       ____Vejo a morte graciosa."(Murilo Mendes)

                                       "Eu preciso destas palavras. Escrita."(Arthur Bispo do Rosário)

                                                                                                                                                                    

 Os hômi Môrto  -  descôche, puto, cambóta  -
nóis Semo. Jacinto
em fuso de Tudo: maravalha e morte,
entrós os Côbros
dos esperantos mais  Sepultura.

Nós somos  o reverbério
de  erês-Infância defuntos,
roncós de trevas
a retinir desde o assassínio  do Alferes:

Eli Eli
sabactâni lemá!! Fulgência  em Nada a  Mara  cor
descalça  há tanto  dos verbos que  no Princípio
andaram léguas  no rosto dos primeiros  Três...

e novamente  a Terra  se encheu  de violência
e num contínuo é mau todo o desejo humano___
à Véra  o rapaz morto  em cós-Dilúvio na sala*
(carpideiras junto de Antélia, mulher de Ló):

nóis semo  os Môrto já falava seu Ínston*
no reverbério  
lá n'Oceânia daqui  di-Mêrmo,
onde nas portas janelas salas pernabandeiras
e lá no Dentros dos hômi
riba e leira: mil novecentos e oitenta e quatro
des-quizombando por Tudo_____


Dies irae, dies illa,
solvet saeclum in favilla.

                                   *(Ver poema "Improviso do rapaz morto", de Mário de Andrade)
                                   *(Ver "1984", de George Orwell)
                                   *Salvador Dalí - Metamorphosis of Narcissus (1937)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Maxixe de Torna-Bonde(Para a amiga Danielle Ronald de Carvalho)

Quando de-Novo os bondes
subirem os ombros de Santa Teresa
pelos braços do Curvelo antigo
já não haverão maçãs envenenadas,
e os pássaros sorrirão tecendo cantigas
nas linhas suplementares da pauta.

Então os arcos da Lapa já não serão
aquele elefante de muitas pernas seguinte em rumo
Nenhum,  e a prefeitura abrirá concurso
pra  nova leva de pingentes. 

Ali pela cacunda da joaquim silva
fuzarca-ebó Garantida: punks e putas,
sambistas, os ambulantes,
e toda a trupe de pelintras de carteirinha
entoarão kyries e vassuncristos,  pontos de macumba
e letras de capoeira, numa senhora Quizomba
ver maxixe de Torna-Bonde_____


já não haverão maçãs envenenadas
e os pássaros sorrirão tecendo cantigas
nas linhas suplementares da pauta quando,
pelos braços do Curvelo antigo os bondes subirem,
de-Novo, os ombros de Santa Teresa.

P.S.
que não se deixe, porém, que os mortos no grave acidente
de agosto de 2011 MORRAM OUTRA VEZ,
trancados em estátuas de pedra
(me tranquiliza saber   -  por boca de Geraldão Viramundo
e Arthur Bispo do Rosário que os políticos responsáveis
pela tragédia têm lugar especial reservado no inferno).













sábado, 3 de janeiro de 2015

Visões de São Mármaro, nº 11(Pra querida amiga Lucinha, no seu aniversário)

Há tempos a flor do Carlos  -  a que brotou no asfalto
da(então)capital do país às cinco horas da tarde  -
parece ter  implodido, junto dos homens
Mortos em seus ternos de aço. Há tempos um céu de bronze
parece ter espantado os verdadeiros pássaros. Os avejões do Estinfálio
parecem donos do espaço, bravateando arrotos de petróleo.

Já quase não há quem saiba
do paradeiro do Hóspede, há muito órfão das casas,
mais órfão dos Corações. Caronte já quase doido
não sabe mais onde arranje lugar na barca dos mortos
pra tanto erê dos subúrbios, pasto de um mundo Corno
que não tem fome nem sede de Justiça. Os olhos do capital
são sete cabeças dez chifres
e mais os gafanhotos do grande Abismo, zambaluês morticentes
que se esparramam dentro dos homens, que já vão Mortos
desde antes da fundação do Mundo.

Vi grandes anjos
montando águias no céu, junto de fagotes alados
e pianos num corcoveio por Tudo____

mostrando pra toda a carne
seus dedos médios Gigantes. 
(Pintura de Portinari)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Sobre uns comícios reaças...(De empós 26 de outubro, 2014)

Desque faz-Muito 
no túnel-Lombo do tempo
essa quebreira braba
ver zabelês Catingudos que é toda a malta Roncolha
querendo ver novamente aqui nos pindoramas patrícios
a morte vestindo verde-olivares e generais cagando redondo____

dispois ces num vão dizê que santantônio enganô
quando o rebenque e o relho véio de guerra
de novo se enfarruscarem nos lombos e nas almas do povo,
desque faz-Muito quem mais se distronchêa
quando os Podentes fazem merda em Brasília...

Pedir a volta das trevas num mundo já tão sacana
é mais que tiro no pé, são catanduvas de bostolagem
que está sempre nos espantando
com seus espirros de fênix, um baguncê parecente
de ter Ajeito mais Nunca.






 


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Acalantinho

Na tijuqueira peguenta da estrada
que às vezes verdece inteira e noutras
é quissamã Cavernoso
de potro chucro pasto fora
achei você, moça branca
dos olhos castanhos da mais profunda Lindura____

tempo perdido se afobar
com pororocas e demais Ranchéus:
quando acordei tava aqui
mais derrancado de Amor
ver beija-flor no poxoréu das Florícies,
todo entornário
dos olhos d'água mais raros,
das mãos de chuva do vento.
(Imagem: Casal em Verde, de Ismael Nery)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Balancês(Pro amigo Heyk Pimenta)

Andança na madrugada chuventa.
Levando pra casa os lábios
há muito Inúteis, e o corpo que nunca não viu
mulher em pêlo nesses outonos Sofrentes.

A casa mais recendente
àquele cheiro Jacinto
despida de light e família, roncó Madurício
de tudo quanto foi desenredo
já 'maginado e vivido.

O cheiro que troteia bem na cacunda dos ventos
é verde-mato, assôpro dum  respiréu que por instantes desmente
a barafunda Candonga 
desse embolô mais remeleixo dos Quintos
adonde eu mais e profundamente
sem vislumbrê de Luzeiro desço a ladeira
de mais esbregues e cramulêras 
fedentes a inverno Próximo:

despoxoréu na madrugada chuventa
levando os lábios Inúteis
nesses outonos de nem Mulher nem família
pro quarto catingando a Jacinto____

sem balancês de Saída.