segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Testamento(Pra minha irmã Laura Pires)

Então vos dou  minha  Sede.
Pelas estradas  da noite
desço nos fins do Mar,
levanto das mãos do monstro
a criança que  Fui.

Nada mais  tenho
que  dê, a  própria vida  entreguei
alçada por mãos romanas
nas lanças de Aldebaran,
mas vós  seguistes
em desabar  catedrais.

Vos dei meu sangue, minha carne______
e  insististes  seguindo  Herodes,
matando  as nuvens  do céu.

Então  vos dou  minha  Sede,
à espera  de homens
que tenham  fome e sede de Justiça,
à espera  de um tempo  onde os mortos
de Carajás, Shatila  e de Sabra
possam  morrer  Enfim.

Nada  mais  tenho,
que  Dê. Vos dou  a Sede:
de  Vida, Paz, Girassóis.
Sede que plante  cedros
na  Palestina  Liberta.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Historiento

O negro  Cipião
me fala em césares longes
e legiões  que rompem redes de Ferro;
o pessoal de Cartago
quando quis Ver  foi Tarde______
árvores  fugiram  gritando,
as que ficaram
viraram estacas e cruzes

Caronte  pulou miúdo
dessa demanda  assim tão  fora dos talos,
teve jeito  Não: malungo  foi
de hora  extra

o mor-Mungúbu  quebrou-se
e zabelê  que era  doce
foi-se  junto do  Resto______

Espaço  de várzeas, Morte.

sábado, 10 de setembro de 2011

Convento de Santo Antônio, à Tardinha

Seis horas no paredão erguido
pra manter índios  e jacarés
e outros hereges  Fora.

De costas  para os séculos XVII e XVIII
recomendados  no rex
prefiro o presente século,
sol do horário de verão
pintando o Largo da Carioca.

Nem vejo as formigas de terno
sumindo onde era o tabuleiro da baiana
prefiro  este  amarelazul
que se transfaz  Rubro  à mil
e o vento da Praça XV
lavando os pelos e os poros.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sete de Setembro(Escrito em 07/09/2011, para minha Irmã Laura Pires)

Havia praças  num tempo
onde as casas não eram  feitas
de mortos. Olhar o céu
se Podia
(e até existia , que  minha avó
olhava, e dizia: "meu Deus").

Haviam jardins  e crianças
banzando soltas nas flores,
 não era proibido.

Guardas  municipais
ajudavam moças e os poucos velhos
a subir no bonde, os anjos(morenos, bons, brasileiros)
quase não tinham trabalho,
viviam jogando bilhar
em cima do Palheta,
na praça Saens Peña.

Homens passavam fumando
(nos ombros  apenas
o peso dos próprios ternos),
inda sorriam  fla X flus  na rua Álvaro Chaves,
e ainda  adiantava  morrer.
Ninguém cuidava do mundo,
nem do algodão  seridó.

Era  num tempo: as noites
não anoiteciam  Tudo,
haviam  Estácios, Mangueiras.
Havia  lá no subúrbio
o respirão da Portela. Havia  a Lapa.

Hoje? Mulheres de ferro
protegem  filhos  biônicos
dos gases  que andam  queimando
as asas  dos  anjos
no que sobrou do céu.
Ninguém mais anda nas praças,
varridas de pó e pânico. Qualquer lugar
é a ilha de Manhattan,
já não se diz  passarinho.

Sorrisos  técnicos  derretem  flores
ombros  suportam mundos,
antes privilégio
dos edifícios.

Cavamos poços  de cimento  armado,
morreram Tancredo  e o  leiteiro.
Não há mais praças,
nem girassóis,
nem  Tempo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011