domingo, 11 de dezembro de 2011

Casmurro

Cruzando a treze de maio
numa manhã de chuva.
O largo da carioca
brinca de formigueiro
gordas  rainhas   mutucam
nas janelas do  BNDES
vendendo as almas dos índios
em secretos leilões_____como cantara   o Renato
desde  Brasília  olerê.

Mas desque foi  Mundo  o mundo
que este  país
é isso  que o senhor está vendo,
e vem de longe  alentejo
o fa(R)do escrito  com  Sangue:

Donatários  rombudos
cujas  mulheres compram  uísque
com a receita  da merenda  nacionar
enquanto  ogum pare  galo
pare  vassalo  a miséria
pare  xerém  pare  crime:

O salvador  não nasceu
embora  galo  se  Esgoele:
mostrando  ebó  de candonga
desse povão  crestado  em cardo  e  Solanca.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Noticiário

Na cidade do Rio
todo o mundo  Azul
menos os náufragos do poder público,
"que é tão difícil ajudar ".
Meninos carvoeiros passam
com suas caixas de papelão
e seus futuros  Descadeirados.

Coronéis descem na escada
do novo  municipal
ouvindo cellos e trompas,
mais transportados  que nunca.

A  mocidade se acaba
mas as estrelas  não.
Minha cachaça  Persiste
em desabar  catedrais
vestindo  Alês de taioba.

Nos subúrbios da leopoldina
inda se enterra gente à pé
debaixo dos teleféricos
na rua bariri  o campeão brasileiro de futebol
da série "C" em 1981
Resiste, a grã-piscina
tinindo.

E com esse calor, hein?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Valsa de Esquina(Para o Ricardo Chacal)

Manhã.
Relógios  Torcidos espalhados
na vastidão da planura
onde pasteja  um cavalo  roxo
sob  um sol  longínquo.
A  gente  não vê no céu
os elefantes de santo  antonio.

Nuvens  poucas
andam  de bicicleta,
o  velho  Ferges  leva  um rebanho de tubas
às margens  do igarapé.

Num canto  do paraíso
são  francisco  planta  mandioca,
são  raul  manda  um-dois.

Lá  embaixo  nos Quintos
forrobode da gota
banda  toca  um dobrado
o demo
acende  o charuto  com um dedo torto,
tapete  Aceso e estendido:

_____Vai  receber  a ilha de Manhattan.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Arrastapé

O aeroporto em frente
que dá na gente a  Distância.
Na  pemba  aberta na mata
é  só  raiz  e diambá
piramba abaixo  grolonga
 o rastafó  rola-moça
onde  Brasil  Despenhou.

Dispois  o sol  quadralando______
cresta  as  boninas, oreiras:
eu  nunca  soube  gravata
e paletó  cento  e vinte.

Daqui  pralém  marajó
só deu ladeira  em descida
cachorro   magro  indo  empós
o  povo  em  mó  de  Tranqueira
enquanto  Escuro
apaga  todas  as  árvores.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Acontecimento da Poesia(Ao amigo Ricardo Chacal)

A poesia  não tem dia
nem tem hora marcada.
Não é cartaz de parede
nem mourão de amarrar cavalo,
ou privilégio de casta______
será de todos  os homens
ou de ombro  Nenhum.

É  bricabraque  mascavo
rastafariço adjunto
a todo ebó  giraMundo.
Inesperada, Acontece.
Arquitetada, medida - às vezes -
às vezes ponto de  Nunca.

A poesia
(principalmente)
Acontece. Se faz de  Tudo
e por  Nada, baixando Solta
onde haja  médium  querente.

Indo ao contrário de Alguns:
Imprescindível  o sujeito
as coisas chãs, objetos
cidades bares
infâncias.

Repara:  Às vezes  gorro e Saci
num rebordó catifundo
ela arregaça  as carrancas
ela  adelgaça, Esvoaça.

Por isso  um toque  de Sopro,
um tom de flauta e fagote
chovendo ali  na roseira.

Ela esmaltada  descasca.
Inesperada  é bem vinda:
É mesmo  que Acontece.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Os Mundos(Para o amigo Lucas Viriato)

Entre dois raios de pensamento
no quarto  pendurado pela  memória
um fio apenas  liga  a eternidade
aos alçapões
da massa bruta do  Corpo.

Nos jardins  claros
árvores vestindo  amarelo, estátuas  vestidas
de musgo
sob olhares de pedra.
Ventos de outono  andam  espalhando  aromas
dum Cinza  futuro  onde   homens 
levantam na voz do pássaro______

serão de frágil linho
os fios antes de cobre
quando as janelas da Casa
não virem mais os braços da Estátua,
nem subirem  mais o Corcovado.

Até que da casa Eterna
som dos saxofones arrancará das Memórias
toda lembrança  de um  Corpo___e os anjos subirem todos
levando de volta os olhos,
dois ouvidos  Cansados.
Então  minha alma se erguerá  do Tempo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Templares(Pro Amigo Luis Turiba)

Ninguém  se engane, que o Tempo_____
magano  à solta  em procissão de Corte_____
anda cigano entre a gente
desrebitando  narizes,
plantando  pontos finais
onde eram vírgulas
e mais fetiches de Sonho.

É  Desembêsto, não  pára.
Sou eu, parasintático  gosmilho  de espirro  cósmico
quem pára  à frente dos  sinais,
indiferente à cor  mostrada  nos semáforos.
Me paro  à frente  dos outros,
sem me agredir  dos trompaços
e lembrancinhas  amorosas  à mãe.

Sou EU  quem  para  à frente da janela,
sem me bater  passarinha
à banda  toda  lá embaixo
berrando  que  só carolina  não  Viu.

Mais  grave  é meu coração
parado  à frente  do Tempo.

E  ele, andando solto, Magano
desconchavando  os narizes
e estoporando  os chorares
não  dá___nem ganja  nem  vírgula____
distribuindo___isso Sim____
rodopiões  de finales
em ponto mais que Final

um Tapa  na cara dos homens:
que todo sonho, afinal
o  Tempo leva pela mão embora.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

História Possível(Sobre o Fla X Flu que decidiu o campeonato carioca de 1995, vencido pelo Tricolor com um gol "espírita" no finalzinho do jogo)

Mandinga  de pai Zuzé
na  pembação de Bangu.
Dia  seguinte  Fla X Flu
gol de barriga  Arrupio!
Banzé  na  Gávea  abatida

_____Marafo  bão  do paizão,
arruda   ilê  de Aruanda
e  tudo  o mais  zabelê
virou  quizomba
no centenário   dos  outros...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Copérnicus

Mulher, você me surgiu
assim chegada de outro  Horizonte,
onde  oboés-Passarinhos  
e  árvores  azuis ordenam  o canto
de corais  Imensos,
e  tudo é chão de Emaús.

 Você me surgiu
vestida em tons de marfim,
os pés de bronze  
entre os erês-Girassóis: 
e foram   Tarde e Manhã
neste deserto de  chumbeira  e asfalto.

Nefilins avançam do Norte
junto de bancos e trustes. Mas olho as nuvens,
sorrio: São teus olhos de veludo escuro
que passeiam junto de pianos velozes,

e pareceu que andei pedindo seus braços
desque foi  Mundo  o mundo.

Mulher, somos  as almas  
que acordarão  em cântaros
um novo  Tempo.

domingo, 16 de outubro de 2011

Inventário

Manhã, no quintal  dos outros.
Aqui  meus serões  costurando  noites
numa mortalha  comprida.

Há  pelo menos  dez anos
que  morro, bebendo  leite de lata
das  encruzilhadas, pensando  coxas  e seios
que   Nunca  me viram  nu.

Já  fui de  tudo, fumaça  negra  dos carros
e  cocô de cabrito,
toquei  viola  e zabumba
pra maluco  dançar,
fui  papagaio de "apóstolos"
catando  a vida em  Gramacho.

Desaprendi  passarinhos ,
hoje  faz  ponto  num  canto
necessário   urubu. Segue  o Seco
em desabar  catedrais.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Antonio Maria

Era  um  "barato"  da  pinga
ou só  baraço  das circunstâncias da Noite?
Ela  passava  e  a bunda____
  chão de possibilidades____
me parecia  ainda mais  convidativa
em seu balanço de Plenilúnio,
um rosto  a me sorrir
das antesalas do gozo.

"Mais  nuvem que Pedra", eu disse.
Gozo  é o que acontece  aos outros,
nas alcovas  onde(banido)
adentro  como satã  no parnaso_____
pagando  o coito  por tempo.

Me parecia  um convite
em seu balanço de lua,
a enorme  bunda que sorria.

Era  "barato" da  pinga, admiti por fim
ela sorria(como Darwin  longe  descobrira)
a  braços machos  mais  Aptos
pelas  esquinas  da Lapa.


Fazer o que .....Punheta
vida  Permite !

O Nascimento

A  sala  de antiga  Ceia
era  onde a neve
fez  dos campos  um mar  de vidro,
guardado  por um lampião. A  fábula
mergulha seus braços na esfera  branca.
Um outro  espera, tendo em mãos  uma Candeia,
a eternidade sai de debaixo da cama,
espalha  flores de  Outono
pelo país  Inteiro.

Porque  te  vira, Esperei______
ficou  o amor dentro em Mim
abrindo  os olhos  da aurora,
bebemos  Toda
a manhã.

Depois  descemos ao mar
juntamos  peixes  vermelhos
às tuas  vestes de festa. Fadas  e demais deuses
formaram  coro  no céu.

Calçamos  os pés em Poesia ,
andando  no chão das nuvens.

Abriste  os olhos: E  a noite   mais  negra e linda
sorriu  no espaço  das retinas,
ao  canto de antigas  fogueiras.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sô Chico do Estácio

Sô  Chico  ardente  azeitando
no brazundó  madrugada
o  falo  véio  estoitiço______
em seu cafofo  no Estácio

na  ura que  a vida  Avara
tramara  urrara  medira
e nele  todo  atirara
em carroções de estrumência
Sô Chico  um grelo de china
relara  -  se bem  pagara.

Dobrara  o cabo da vida:
andava  já sessentando
casmurro, um tanto  rotundo
"sortêro"  sem fé  nem filho

a quem tão   Mal  paga  a vida
dos  noves fora  num sobra
um tasco  que valha  bosta______
dos  cobres da previdência
nem cabe  troco das putas
só  Sobra  ao pobre  Sô  Chico
relar  no falo  estoitiço
em seu cafofo  no Estácio.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Testamento(Pra minha irmã Laura Pires)

Então vos dou  minha  Sede.
Pelas estradas  da noite
desço nos fins do Mar,
levanto das mãos do monstro
a criança que  Fui.

Nada mais  tenho
que  dê, a  própria vida  entreguei
alçada por mãos romanas
nas lanças de Aldebaran,
mas vós  seguistes
em desabar  catedrais.

Vos dei meu sangue, minha carne______
e  insististes  seguindo  Herodes,
matando  as nuvens  do céu.

Então  vos dou  minha  Sede,
à espera  de homens
que tenham  fome e sede de Justiça,
à espera  de um tempo  onde os mortos
de Carajás, Shatila  e de Sabra
possam  morrer  Enfim.

Nada  mais  tenho,
que  Dê. Vos dou  a Sede:
de  Vida, Paz, Girassóis.
Sede que plante  cedros
na  Palestina  Liberta.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Historiento

O negro  Cipião
me fala em césares longes
e legiões  que rompem redes de Ferro;
o pessoal de Cartago
quando quis Ver  foi Tarde______
árvores  fugiram  gritando,
as que ficaram
viraram estacas e cruzes

Caronte  pulou miúdo
dessa demanda  assim tão  fora dos talos,
teve jeito  Não: malungo  foi
de hora  extra

o mor-Mungúbu  quebrou-se
e zabelê  que era  doce
foi-se  junto do  Resto______

Espaço  de várzeas, Morte.

sábado, 10 de setembro de 2011

Convento de Santo Antônio, à Tardinha

Seis horas no paredão erguido
pra manter índios  e jacarés
e outros hereges  Fora.

De costas  para os séculos XVII e XVIII
recomendados  no rex
prefiro o presente século,
sol do horário de verão
pintando o Largo da Carioca.

Nem vejo as formigas de terno
sumindo onde era o tabuleiro da baiana
prefiro  este  amarelazul
que se transfaz  Rubro  à mil
e o vento da Praça XV
lavando os pelos e os poros.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sete de Setembro(Escrito em 07/09/2011, para minha Irmã Laura Pires)

Havia praças  num tempo
onde as casas não eram  feitas
de mortos. Olhar o céu
se Podia
(e até existia , que  minha avó
olhava, e dizia: "meu Deus").

Haviam jardins  e crianças
banzando soltas nas flores,
 não era proibido.

Guardas  municipais
ajudavam moças e os poucos velhos
a subir no bonde, os anjos(morenos, bons, brasileiros)
quase não tinham trabalho,
viviam jogando bilhar
em cima do Palheta,
na praça Saens Peña.

Homens passavam fumando
(nos ombros  apenas
o peso dos próprios ternos),
inda sorriam  fla X flus  na rua Álvaro Chaves,
e ainda  adiantava  morrer.
Ninguém cuidava do mundo,
nem do algodão  seridó.

Era  num tempo: as noites
não anoiteciam  Tudo,
haviam  Estácios, Mangueiras.
Havia  lá no subúrbio
o respirão da Portela. Havia  a Lapa.

Hoje? Mulheres de ferro
protegem  filhos  biônicos
dos gases  que andam  queimando
as asas  dos  anjos
no que sobrou do céu.
Ninguém mais anda nas praças,
varridas de pó e pânico. Qualquer lugar
é a ilha de Manhattan,
já não se diz  passarinho.

Sorrisos  técnicos  derretem  flores
ombros  suportam mundos,
antes privilégio
dos edifícios.

Cavamos poços  de cimento  armado,
morreram Tancredo  e o  leiteiro.
Não há mais praças,
nem girassóis,
nem  Tempo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Soneto Inglês, n.º 5(Palestina)

Entre visões de  moimento
vão duas  águias  rondando
céu de espasmos  em  Bronze,
adulta a mão-Desespero.


Morte em câmaras  Surdas
devora  os últimos  Espelhos
dum povo  heróico, e a noite  Cai
na  Palestina transformada em  Sangue


Depois  mais ganchos  de Ferro
esmagam  ossos  de meninos-Anjos
enquanto os  dentes  do  Abismo
cavam cisternas  em Gaza______


Olhei, eis  um cavalo  amarelo 
os  beleléus  seguem  rente, de Perto.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Soneto Inglês, n.º 6(Mário de Andrade)

Depois  de o mar tão bunito
chamar o carro de Apolo pra mais um dia:
jangada  Só deu na manhã
da praia, morte Polissilábica. 




Cinquenta  estátuas de Verdi
em mais de  um terço  do Céu_____
onde eram  noiva e cavalo
socavão  que o baque  surdo


Arrefece. Agora  louco, e Viúvo
no  Garumbó  despenheiro -
salto  em tango  e cavalo -
noivo se despenhou.


E a  serra   do  Rola-Moça
agora  é   Noite  a desabar  catedrais.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Cântico(Escrito em Joinville-SC, em 01/10/2009)

Bendito és tu, Senhor
autor da voz Primeira  e da Palavra_______
que o mundo inteiro inda se espanta
ao partilhares do pão com as esculturas de barro
nas quais sopraste o  Espírito:
com Abraão teu amigo
antes do fim de Sodoma, quando o nascente
apareceu Fogaréu.


Bendito és tu  quando através de Isaque  trasladado a lã
era o Cordeiro  encarnado
nos ombros tortos do  Mundo
e todas as caveiras libertas:
latinas, gregas, hebraicas.


Oh  tu que acendes  no terraço  do mundo
os  candelabros do  Encanto:
são formas  puras, aladas
dos sete  espíritos andando na cabeça do poeta
e das meninas sonhando
futura  multiplicação dos  corpos.


Até  quando destróis  a Idade dos  ímpios
e lhes atolas os carros
na lama do Mar Vermelho
és  Bendito, tu que antes do dilúvio
pregaste cento e vinte anos o arrependimento,
até  que se fechasse  a  Arca,
os homens indo pro  Beleléu  depois.


És bendito, que através de Ti
transcendo  os  ínfimos limites de  Mim
porque  me fazes duplamente  Filho,
pela  Palavra e por  Água,
galgando  a  Eternidade
quando  à  humanidade  abriste  o Verbo,
a novidade  da tua  Cruz.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Chateau(Sobre o Castelo do Vinho, em Jacarepaguá-RJ)

No tempo  do barão da Taquara
era caiana  brancura
a curimba da malungada
 rapetrês  calibrino
onde manguava  Inteiriça
a populaça  inda cheirando  a senzala:
Guardando  a  ferro uns gorós
pros  orixás de cabeça.

Após de muito depois______
onde era Sêsma  tindiba
é ver  maloca  de baco
assim cafofo dos  Pifas
famoso em toda Cidade

O bom barão coitadim
desencarnou  muito antes
e nem  montando  Arigó
apareceu lá  prum  porto

 dos  bons  Rostos  do bairro
um dos postais da Cidade,
vinhaça  Amiga de sobra, calibre:
  pra todo  mundo!!!______

Inclusos  os jacarés
e os velhos  índios  pinguços.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Madalena

Era um estranho, e no entanto
podia ser o jardineiro daquele horto.
Cheguei-me  e disse:
tu que para além   do Nada  conheces
todos os mortos, mostra onde o pusestes.
Trouxemos  mirra,  perfumes.


Ele, que por entre a cortina  de minhas lágrimas
dissera  "porque choras, mulher"?
agora cala, me olha. Profundamente.
Quando falou de novo, apenas
disse  meu  Nome.


Desde então  nada  Mais
precisou ser Dito.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Coisa, nº 1

Ovas  de origami  me Açucenam
ombras  zibelinas  disparam  vórtices
duns óculos  tubérculos  de feira-livre,
vida há  muito  descamada
do planeta-Navio_______
mais de varsóvia  escombros
nos poros  onde  escondo  a memória.

Poema a se vestir de elefante
em praça  há muito  báculo  dos mortos,
verto  nas nuvens
espora  de meus  tufões_________

Suncê  me  aguarde  amanhã!!
Que  eu de   Lambaio
corro  o mar da Bahia....

sábado, 30 de julho de 2011

Soltas, nº 2

Então
faiança da gota nos  Estrondós
caborés: Furdunço
não reparável
homens  Irreparáveis,
velas  acesas na sala: Defunto  de botas novas
família em palpos de aranha,
e as contas do mês seguinte.

Falando nisso
os mortos de Chernobyl
brincam de vaca  amarela.
Demônios gordos
semeiam torres de petróleo
e mais presuntos  por onde passam
com as ferraduras do progresso_____

Exemplo: África  à noite
pessoas-Ossos se deitam,
fome há  Muito
sendo o prato do dia

Então nem cisco de merda
nos pobres daqueles cús_____
são fósseis  os intestinos. Aliás também os estômagos.
Aliás  o Resto.

Casarão(Sobre uma casa-grande do tempo dos escravos ainda existindo ali no Cachambi)

Manhã de fato, e do outro lado da Helder
o casão meio assombrado do tempo do império
assiste ao domingo público_______
indiferente  aos pretos  lá dentro
que não se acabam de Morrer.

A dança das ampulhetas
recende às velas
dos caborés desinácios
se destampando no Cachambi,
quintinas sem redondilha
senzalas  sepultas hoje
no esquecimento  de Sempre.

Mais Jacarepaguá

O barão da Taquara  era tão grande
que ainda hoje tem gente chegando
na terra dele.

Foi Isso: nas antiguanças eram os índios
que moravam nela, achavam grandes  os jacarés
mas os jantavam assim mesmo.

Depois vieram os portugueses
e jantaram os índios, ainda usaram os jacarés
pra palitar  os dentes.

Depois depois de uns bons balalões
veio por fim "seu" barão:
com bigodeira barbanças
medalhas do Paraguai
e virou mini-donatário_____o criouléu nunca mais
atravessou o  Samba.

Os jacarés  fizeram as malas,
foram pra Barra, Recreio, viraram gente:
têm sido vistos nos shoppings,
tomando sol nos jardináceos bacanas.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Hai Kai em forma de comentário

                                   "...eles("poetas") tantos
                                    e  ela(Poesia)
                                    de tão poucos."(Carlito Azevedo)


Demais  o número de pais  franciscos
querendo  uma roda
pra tocar  violão...

Outra Canção Amiga

Eu também preparo
uma canção  Não-modesta
em que  eu mereça  minha mãe
se reconheçam as flores
erga os olhos cansados

Andando muitos países
busque as árvores de Maio
acorde as cores  do  Outono
 sejam  verde-Esperança

que nossas  vidas-Chuvismo
desbotem o cinza das coisas
das horas-Pressa :
Mostrando aos ombros  curvados
 chão azul Passarinho

Eu preparo  canção
que seja mais que apenas  sentimento
e nela  durmam  todas  as Infâncias.

Soneto Inglês, n.º 4

Depois da grande Tormenta
passar no céu com seus trombones de ferro
o filho pródigo retorna ao porto
onde o espera, comovido, o pai.

Andou por terras e mares
viu cafetinas e deuses______
estas o descamaram,
aqueles o venderam pro  Egito.

Mas volta como se dentre os mortos:
Ordena o canto dos corais  imensos
levanta a saia das árvores,
traz na coleira uma esfinge______

os anjos cantam de novo,
vestidos  de  girassóis.

(Este soneto foi um dos quatro escritos na cidade de Joinville - SC, nas primeiras semanas de outubro de 2009. Apesar de sua versão escrita ter sido aproveitada na íntegra, algumas palavras foram mudadas em lugares considerados por mim como pontos-chave. Também faço lembrar, como uma curiosidade, que um título enfeixava esta série de sonetos, eles se chamavam "Sonetos
Nublários". Achei por bem substituir o título. Nesta ocasião eu ainda não conhecia bem TODOS os "Sonetos Brancos" do Murilo Mendes, mas mantinha em cópia manuscrita seis deles, que foram meu principal material de pesquisa para a construção da primeira versão destes quatro sonetos.)

Heródoto

Fui todo  um  Mar encarnado
quando em  Cartago eram fogos sob as sandálias de Mário,
e a morte andava junto das legiões,
céus de fornalha e de Ferro
falando césares  Mortirescentes.

Mas fui retrós  mais Antigo,
prumo quando as palavras Nasciam_____
zumbis de titânio andavam por sobre  a  Terra
junto dos coros imensos,
serafins cavalgando pianos  gigantes, antes do erê Sinfônico
moldar as pernas dos homens
e se chamar Prometeu:

história agora  Falava,
e era  o sopro dos Três______
houveram  tardes manhãs
fagotes e oboés emplumados entoam kyries eternos
à  Primavera dos Dias.
                           (Em 29 de julho, 2011)

Kairós

Instantes num olhos-Púrpura,
mirante dos Séculos:
era de-Noite no jardim dos túmulos
surgi dos peitos de Pedra,
árvores me deram  Nome.

Plantei meu rosto no firmamento dos pássaros,
bebi  o orvalho dos pianos.
No alto do  Corcovado
vi Prometeu castigado
e herói do Fogo assim mesmo:
moldando as pernas dos homens.

Também fui  Íris nos jardins  do hospício,
girassóis saltando Amarelo
no branco dos olhos Todos. Hoje outonos
florejam, arrulho  kyries aos calendários:
Filho do Homem de-Novo
nas páginas de Anton Bruckner,
asas do fim do Mundo.

Duas Águias

Noite. Meus olhos sobem montanhas
até a janela do quarto, serafins chegam com sopros
do fim do mundo
três estátuas em pedra tangendo os cinco sentidos,
pianos  sobre a Memória.

Desço até o mar
com as polaróides  restantes
já não possuo boca pra chamar o  Vento,
virei josés comportados
depois da última anistia______
lembrei que pus navalha no prego,
agora um grito de espanto
emparedado na garganta profunda.

Ninguém mais a falar nas guerras
e que Varsóvia  massacrara isaques,
já não dava manchete. Mundo próximo a queda
chegando com unhas de tango
e braceletes de  Cobra.

Mulheres de vidro  preparam  dilúvios
em caldeirões gigantescos,
com cinzas, corvos, petróleo
pernas de sapo, delfins______

Subo do mar, junto o  Mundo:
mais sete cabeças dez chifres
arnês de bronze, brasões,
só resta mesmo pras rezas
tocar um tango argentino
depois de todos os relógios.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Homilia

Sobre os outonos que Existo
eu visto as pedras do  mundo
em carnavália-Esperanto.

Meus olhos
desceram tanto nos infernos da Terra
que chamei  Nome  a todos os demônios
quando  trombones sacudiram dos céus
saraiva e enxofre  sobre o Orgulho dos homens,
depois  o Tempo  se desfez  do elmo prateado,
relógios se derreteram pelas retinas
do catalão de alumínio:
o corvo torna aos braços da Existência.

Depois de tudo a Virgem branca aparece
aponta  o rumo de Emaús,
destila o cântico do Hóspede.

Meus carnavais de  Esperanto
acordarão  pianos
de um mundo novo em casulo,
depois de o Tempo fugir
nas asas grandes de demônios  verdes.

Mindincanto nº 2


Entonces
demais  Tamanha
a cara da  vida-Pressa?
Mas, vejam: depois dos noves de Fora
ainda um gosto de Muito
a gente amarra  nas esquinas do Tempo,
quando  de-Menos  se pensa
e mais se deixa que a Vida
à  vela Toda  navegue.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Imagens(Para a amiga Liv Lagerblad)

Deste  outro  lado  tem ventos
tem por do sol  na janela,
os nichos da ordem e da desordem.
Tem  Lautréamont  tomando chope  na Lapa
junto do Blaise Cendrars
que puxa um brinde  com o braço
perdido em todas as guerras.

Deste outro lado  tem flores
certeza amores na mente

mas  tem demônios   de olho
com dentes pernas bandeiras, brigitte  à  Solta,
não é sopa  não.

Mas vem depois fevereiro
 depois do agosto perturbando as pipas,
tem mestre  André  parando  a avenida
e abrindo todas  as bocas.

O soviete deu mole
perdeu cadeira na dança_________
os anjos de calça  larga
estão de luto, choram baixinho
a sorte da oitava nota.
(Imagem: Composição surrealista, de Ismael Nery)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Carvoeiros

Noite depois do rush.
Os menininhos carvoeiros de novo
sobre  a  cidade. Parecem os mesmos
do morro do Curvelo vistos por um poeta,
bota cem anos  Nisso.

Não  há mais burros descadeirados,
nem carvão  escapando da aniagem
toda remendada. Mas são eles,
sem dúvida.

O sujo das caras tristes faz  pas-de-deux
com as roupas rotas imundas, as mãos pequenas
rasgam caixas  de papelão(serão vendidas depois)
em plena rua sete de setembro.

Estão descalços apesar do frio(é inverno), a roupa  rota estronchada
apesar do Frio. Corpo há muito
sem banho. Um deles tem nem sete anos,
mastiga  risonho  um quibe
catado num lixo próximo(parece o bicho  do pátio
catando  a vida entre os detritos)_____

e nisso  os  outros que passam(eu você todo mundo)
cegueira  Grossa, agressiva.

São Jorge

Praça de Sulacap,
no vulgo, só macumbódromo.
Cacimbas e barnabés
cambonam  santo guerreiro
quizomba samba de roda
odorações, reverências____
Abril xerém pare   Festa,
ogum magé  vinte e três
festália   Ilé,
Canembê!!

sábado, 2 de julho de 2011

Visões de São Mármaro, nº 1(Para o Augusto Guimaraens Cavalcanti)

O anjo da guarda
desperta da canção primitiva
sobre o berço azul____mundo nasce
e a glória da Virgem
atrai  demônios  pro  Esquecimento
depois da primeira estrela aparecer na  pérsia.

Repousam  formas  veladas
na rua agora deserta
até que o pássaro acorde
e as caravanas de Hagar
nos levem  sobre o deserto
nosso dorso de pérola______

Não  fique  do grande  Templo
tijolo sobre tijolo
no quarto dependurado
sobre os cordéis  da Memória.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Imagenício

Pufe em sala  vazia.
Janelas fechadas(homens há muito  Extintos)
tapete(disfarçadamente)
persa. Livrerso  aberto no pufe,
onde tem versos  que engolem ostras
e metem  língua  no Lula.

Caetano  sente  a preguiça,
quem  lê  notícia  em dezembro?
Moças de bronze  Nuas
nunca mais foram na escola.

Bispo do Rosário  arremata:
"O obelisco da avenida  rio branco
não é mourão de amarrar  cavalo!!"_____

Geraldo Erê Viramundo
é logico que assina embaixo.

Poemeto(Sobre o poema "Endereço das cinco marias", do livro "Poemas", de Murilo Mendes)

Era uma vez meus senhores
sujeito de Juiz de Fora:
Gastara parte da vida
ranchando-se em quase  Nada,
gostando
cinco marias.

Perdeu primeira pro exército,
e outra
pro  Beleléu.

As  três marias  restantes
esperam próximo  incauto:
olhando  de lá do céu.

Instantâneo

Praça em frente de casa.
Trinta e seis árvores vestindo branco
batem os dentes de frio,
manhã de junho e de chuva, serão seis horas
de sexta-feira não  treze.

Sol mofino anda cambaio
a se enroscar na garoa,
cada candango que a vida
botou pra fora das casas cedo
é  chaminé
parindo rolos de fumaça.

Felizes os velhos  e os boêmios
além dos protooperários
arquivados nos berços_____

Inda  no fundo do mundo mágico
dos cobertores.

Brincanteísmo Cinzário

Após_____
essa  blandícia  açucarada(outono  ameno)
esse  entrevês depois em passo de Coice
no jardim dos mortos
onde andam  círculas, caramanchões
de esqueletos___nossa existência  descendo
a serra da vida-Pressa.

Findo  o sonhário
há sobre o rosto  a imundícia
futuro subjuntivo
onde vivência  descalça
anda arrastando na praça
seu ombro seco,
Nenhum.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Soneto Inglês, n.º 3(Refazenda)

E ascende à Carne  um quentuço,
em forma e pulso  de urgência:
no  raso morto  a caatinga
contando  vida que a morte

anda levando, Ocupada.
Mas quando  chuva  Aparece
rosto  do povo  chora
de alívio, Verde  alegria:

"meu  padim  Ciço  lá em cima
olhou  pra gente nóis  Tudo
os  home os bicho  o plantado
que  vida 'garra de Novo".

Recende  então  Refazenda,
chuvada  amiga, Malunga.

(Estes quatro primeiros sonetos  tiveram sua primeira versão escrita nas primeiras semanas de 
outubro de 2009, em Joinville - SC, começando no dia 10 com o Soneto nº  1 - mas enquanto os dois primeiros sonetos foram aproveitados na íntegra, há que se observar quanto ao de nº 3:
Deste terceiro soneto somente as duas primeiras estrofes foram aproveitadas, sendo que o restante dele foi modificado.)

Mindincanto, nº 1

                      I

No horto do parque  Guinle.
O nome que batiza  um morro  ali perto
era o de um padre, eu soube foi  vigário
no  Encantado -- tempo  em que no Andaraí
Dom-Dom  jogava...

                   II

Algodoando, sen - tido!!
Era o colégio(!)um pratim
primeira série os feijões
zanzando  num cazumbó:

eu  mestre  no  Fuzuê
pra  bem depois  nota   três_____
era o primário  e a   teteca
titia  tããão  malamada...

____Só dava  zebra  o meu bicho.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Cotidiano

No meio  da cidade  partida
girassóis cavalgam  fogo  anti-aéreo,
mulheres com guarda-chuva
protegem  filhos de bronze.
Horas fogem de   Tudo,
terço  ají-Cambará.

Entre  as memórias e o amor
a cara torta  da  Vida:
Último  temporal  afoga  as cores e o dia,
enxota os anjos flautistas do casario próximo,
espanta o sono das praças.

Se toda história é  Remorso
então não cabe discutir os  homens,
restando nos cabrolós
gosto azedo  de  maninguaba
e o sumir-se
numa  semente  de guando.

Configurama Dois

Eu existo  para  assistir
ao nascimento da poesia
nas profundezas do  Homem.


Colher  no peito das árvores
a seiva amiga das palavras,
andar no firmamento  dos pássaros
onde os primeiros  Três
plantaram  a  volta do  pródigo.

No limiar das  Esferas
sorver o  orvalho dos pianos
enquanto  à espera da  musa_____
que me trará  sobre  o colo
o retrato de  meu filho
e o fim de todos os  Séculos.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Pripyat(Dedicado a minha Irmã Laura Pires)

Cidade de Pripyat num qualquer canto
do  Século, a escorrer nos relógios  derretidos
estrada  para o Silêncio.

Flebas o fenício  agora  canta
sobre a terra sem vida
um som difuso de violino e urânio
enquanto as filhas  dos homens
transcendem nos semideuses,
e a terra  se encheu de violência.

Noé vestido  em cobra coral
solfeja as notas do aguaceiro próximo .
Então sorrisos, risândolas_______
Apenas  um vapor que vinha dos primeiros Três
regava a face da terra,
mundo nunca chovera.

Então na porta das cidades
homens  seguem  tirando sapatos
e produzindo lavouras, gado
mulheres  acendem  Luz
de um povo gigantesco.

Arcanjos num remeleixo
plantam barcaças grandes_____
mas os ouvidos são de pedra e cal,
rostos de ferro e diamante

Quem tem  ouvidos
não desça  a tirar nada de casa
quem tem dois ternos que venda,
procure  espadas, escudos_______
e fuga  à frente do  Inverno.

Talvez  encontrem  José
num ponto da estrada  pro  Egito
(Herodes se viu  num lôgro
e o índice  bovespa  andando  em queda este mês)


____Não tem mais  Onde,  Narizinho!!
Primo Visconde conta as estrelas no céu
sumiram todas, sobrando aquela serpente
que iluminou de morte o céu da Ucrânia.

Flebas  tão triste
em voz de urânio anda chovendo pro  mundo
o que os altares e deuses
serviram ao povo de Pripyat
em madrugada cinzenta
num já  século quase  esquecido

Se hoje ouvirdes a voz que  Fala
não fujam pra dentro de si mesmos_____
Ainda lugar existe
na grande barca dos santos
enquanto os homens  acumulam  trombones,
enquanto os homens seguem na violência.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Visões de São Mármaro, nº 3

...dias-Chão sem visgo de passaredo,
odores-Sombra
essas esquinas que Visto___
há muito
os homens bebem  petróleo nas encruzilhadas enquanto
terra é mesmo  uns  Umbrais
de maus erês dançando as horas Erradas_____

Que era guerra nas ruas do Méier
faltaram fogo e comida
ninguém nisso
não  pôs reparo,
Nenhum.

Os trens da malha surrada andam sacolejando
quem não se acaba de morrer_____

Onde cantou  Malazarte
hoje chacoalham  josés: navalhas
aposentadas,
restando pelos telhados
fuligem de flautas doces_____

soluçam  kyries
sobre  adalgisas  de mármore
dentro dos muros do Caju.

Plantão

               Num ponto do  Mato Alto
               o posto do tigre.
               Madrugada levantou faz pouco,
               sacode um gosto de café
               na boca  sem lavar.

               No posto  o poeta  não dorme,
               atento  à bebedeira dos carros.
               Gerontião  remexe doido
               qualquer coisa dentro,
               e lembro um tempo futuro
               se erguendo  na voz do pássaro.

               Morte virá  depois
               cobrar  minhas partes inferiores,
               então  devolverei meus sentidos
               e não haverá  mais  Tempo.

domingo, 12 de junho de 2011

Luta Corporal(Pra minha irmã Laura Pires)

        Então espírito dos Três
        pairando à face das águas
        nos terraços do  mundo.
        Formas futuras se movendo
        entre  aguaçais e sonhários
        corpos de formas-Alga,
        mulheres evas
        de seios e ancas de bronze.

        A sombra a noite o século passado
        perguntam pelos jardins
        onde três anjos tortos
        plantavam dálias  na cabeça do homem.
        Os cantos virgens do mundo
        morreram nos cogumelos
        levando flores, poetas,
        os sonhos do Hóspede.

        A  esfera  azul
        verá seu tempo de Cólera:
        então  não  fujam no inverno,
        não se escondam nos sábados________

       Mundo andando em Deserto
       no rosto da memória de Deus.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Exórdio

        A  Terra
        era sem forma   e  rubra
        havia um céu de pássaros de fogo
        e  tudo era  acintoso Silêncio____
        ouvido algum jamais  pusera ali
        música de seus martelos  e conchas.
        Haviam  três pares de olhos
        pairando sobre essas  "águas",
        recém-chegados  no  Tempo.

        Depois um pôr-do-sol  nascituro
        era  Nijinski  nos primeiros  olhos  assombrados
        sopro dos  Três  Primeiros
        além  do Azul que a vista  amarfanhava

        Foi  num momento, e salto  gigantesco:
        agora erguera o barro para a Eternidade.

sábado, 21 de maio de 2011

O Princípio das Dores(A meu irmão André Mauro)

                                                  
                                                                  "...Mestre, dize-nos quando  sucederão essas coisas,
                                                                  e que  sinal  haverá  de tua  vinda  e da consumação
                                                                  do   Século."(Livro de Mateus, cap.24, versos 3 e 4)


               Um sol cadente
               a  ressecar  as valsas  já não  Ternárias
               jussaras   cinzas  nos olhos
               demônios  verdes  à espreita,
               são  beleléus  de trombeta. Desfolham mães,
               zabelês.

               No  céu  vão nuvens  de alumínio
               cuspindo  flechas  de bronze.
               Minotauros  soltam urros  imensos,
               espalham  guerras, flagelos,
               movem  asfaltos e montanhas.

              Passam  mulheres  segurando  em mãos
              os seios  arrancados  por  escorpiões,
              crianças  berram  sem olhos
              depois  são  transformadas  em pedra.
              Medusas  tomam toda a presidente vargas,
              no  corcovado mais demônios  rombudos
              pousam  nos braços da  Estátua.

             Serafins  também  comparecem
             montando  dálias  gigantes,
             as  sete  taças  da Ira
             em  mãos  de  cem   curimãs______
             árvores  fogem gritando.

             Depois  o Cristo  Aparece
             pisando  as nuvens em chamas,
             um  Relho  enorme  na mão:
             os  elefantes  de pernas  imensas
             fogem  de volta  aos  mares,
             meu   padim  Ciço   mais  Sete
             vigiam  o fim  da Tormenta_______

            Os   Três  Primeiros  e a Virgem
            presidem  nos tribunais, João  Grilo  é o estenógrafo:

            _______aí  depois
            Cabamundo.

Configurama

             Vestindo  branca  poesia
             eu  canto  a chuva das manhãs.
             Não   só  minhas  pernas
             que  andam  muitos  países,
             há  dez  outonos
             falo  a  língua  das  árvores.

             Não tenho  prata nem ouro,
             mas  trago  pássaros  nos bolsos.
             Abraço  o amigo, o inimigo
             enquanto  lá fora  os homens
             se perdem  em terras  distantes
             estando  à  porta  de suas  Casas.

           "Quero  transcender   minha  historia
            e  esperar  que  Deus  remova  meu  corpo."

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ápice (À memória de Mário de Sá-Carneiro)

              De um sol longínquo um sopro
              nos outonos de  Mim____onde uns aléns
              inda refletem luz  Sonoramente_______
              Algum jardim floresceu
              pelos  meus olhos  tão d'água,
              memória
              do que foram  Cores vestindo o branco de meus papéis,
              aurora  um dia...

              Erês  retintos  de  Sorte
              onde meus sete  esperantos
              um sopro, assim  Subitamente...

            "Ah, não sei porque, mas certamente
             aquele  raio  cadente
             alguma coisa  foi na minha  sorte..."

             Onde era  ideia  de  Norte
             último  sopro
             a  retardar  o inverno  Derradeiro____

             Aurora,
             um  Dia...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

TORRENTE(Escrito em Santa Cruz da Serra, RJ, às 7 horas da manhã, durante o carnaval, em 05/02/2005)

              Consideradas as circunstôncias
              todo cavalo de tróia é Justificlópide
              Apúfise de mar é meio-côco
              a menos  que se veja  a praia
              da polifrente da Batalha
              tantas  as louções  oligofrênicas  Juntas,
              um enorme coletivo de ornitorrincos
              que juntos  grasnam  fluntos e Polônferos
              rumos setentrionais
              em ponto do sul.

              Considerada a baia,
              todo entorno que se veja
              sobe a serra da Bahia
              pelos vãos de Minas em marchas
              as mais clopíferas  enfim
              no trilho-apronto que vai dar no  Mar,
              mar onde a praia  acorda o sol
              da ponta-areia

             E da varanda o trono posto sobre o largo da Taquara
             a pleno-côco é média-mão   Apúfise
             xisploramente as circunstôncias  Nárias
             justificlópide ficente a porta
             um tango a mais
             dançado ao fim de todas as Tróias:
             praia  Pátride
             no fim das  contas.

sábado, 14 de maio de 2011

Manhã

                              Tons de rubro
                              descendo a copa das árvores,
                              alguém sopra as últimas estrelas:
                              manhã se veste de azul,
                              primeiros pássaros, Oboés.


                              No céu por cima da gente
                              poucas nuvens andam de bicicleta,
                              trombones hoje de folga. Girassóis
                              retomam a dança interrompida.


                             Um último anjo noturno
                             recolhe as asas, boceja:
                             vento responde nas folhas.


                            Olho teu corpo dormindo:
                            a linha  do horizonte  abraça a vida
                            que ainda não Sabes. Tempo de semear
                            pianos pelos jardins.


                           E somos anjos  mais moços,
                           bebemos das fontes altas,
                           armamos  tenda  em  Quedar. O  céu e a terra
                           se  abraçam, desde  Emaús
                           chegam  notícias do Hóspede:
                          Grande  aplauso   de  fogo.

Boi Morto(Dedicado a minha irmã Laura Pires)

                                                         "...Perdi o milagre." (Laura Pires)


                                 I
         Meu lado esquerdo anda Espaço,
         essa clareira  onde  Deus,
         folgadamente.

         Porém boi morto esse terceiro dia
         jardim tããão  Jaqueline sepulta, e morta
         era mais bonita do que os anjos.

         Descomedida na fonte
         Fúria arranca pelas encostas
         pelancas grossas de altares
         coros, ofícios____
         homens comendo  espingardas.


                          II
        Já não direi passarinho.
        Da nuvem, grossa de raios
        um minotauro sobre os cabelos
        das  últimas árvores___boi
        Espantosamente.

        Vida também
        tudo também
        andam  comendo  espingardas
        homens vão nas tvs mostrar suas mulheres
        parindo rebites diante de apóstolos,
        cavalos de aço estrangeiros
        põem  fogo  na Cidade do Samba.


                          III
        Meu lado esquerdo
        anda  Espaço: sol crestando
        as  últimas  begônias, fecho as boninas,
        janelas___Jaqueline  morta
        era  mais bonita do que os anjos,
        não tem mais onde
        Emaús: Boi Morto
        esse terceiro  dia.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Apoteose

               Meus olhos-Fim
               saltaram os muros do Espelho:
               samba que foi depois
               fez requebrar as sereias
               da Marina da Glória,
               mexeu com as areias  do Aterro
               subiu a estrada das paineiras
               chegando  nos pés da Estátua,
               junto das nuvens baixas.

               Depois foi o sexto  anjo
               jogando sua taça  aos ares_____
               das  nuvens  surgem  zabumbas, peixeiras
               bois faladores  no  espaço
               briga de ebós, capoeiras.

               Então  que  mundo-Amanhã:
               demônios   somem nos becos
               enquanto  foles  e flautas
               falam  do próximo abraço
               entre os remidos e o Hóspede.

               

Antífona Breve(Primeiro esboço)

                   Num livro de Dona  Benta:
                   juras  Inconfidentes
                   e os becos de Goiás Velho
                   em cambulhada  com as roseiras do asfalto:
                   bondes do carlos-Homem,
                   becos: cora-Minina.

                  Meus sete  espíritos-Hoje
                  descansam  no chão das Nuvens
                  andor de pássaro  e vento,
                  e dos poetas, do Hóspede.

Visões de São Mármaro, nº 2

                      Mais hoje mais amanhã
                      a  Mulher  se esconderá  no deserto
                      seguida pelo dragão,
                      montando as águas de um rio.
                      Na  mão direita um cajado
                      feito da história  dos santos.

                      No  antigo  horto  uma mesa de pedra.
                      Foi nela que deitaram  Isaque,
                      onde  imolaram  o Hóspede. Mas era
                      outra repartição que funcionava ali,
                      quando cavalos azuis
                      migravam pelos continentes
                      as asas  novas em folha.

                     Ordena-se  a Sinfonia:
                     tocam-se o céu e a terra,
                     mundo-Amanhã  se levanta
                     na volta  mais  Esperada:
                     Onde  Emaús   falando em Lázaros,
                     novamente.

Missa Breve

                           A tarde inclina seus ombros
                           outubros postos
                           no chão: Conto as cigarras das árvores,
                           faltam  várias ao trabalho.
                           No  céu  nuvens grossas, rombudas___
                           sabendo a trombones gordos.

                          Uns urubus-canhambora
                          andam cortando  as horas temporãs,
                          na boca andaimes, paredes______
                          todo   um  Resto
                          atrapalhando a  semana:

                         nos campos  homens de bronze
                         semeiam  torres  de petróleo,
                         engolem  trinta camelos.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Dois Cliques

                     O poeta  à mesa num café.
                     Seis horas, tarde  Quente.
                     Na carioca as pernas___ruças pretas
                     amarelas brancas
                     sentido estação central:
                     ensardinhanças do rush.

                     Na mesa xícaras pratos
                     cheiro doce de figos: Café com broa ,
                     licor, mais são lourenço em garrafa:

                     dieta que nem fiado, 
                     vale mesmo amanhã.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Zebedéu

                  No   axé  de Zebedéu
                  de  céu-grolô   Calcutá_____
                  Inspiração   foi  ver
                  na  margerana  Estendida:

                 ___ teu  corpo  em toda  a nudez,
                 pendida  a máquina  do braço
                 depois  de todo  amor  que  foi
                 Tudo, que  de melhor  e mais  raro
                 entre  nós  dois, parênese______
                 de encantação  Maçonária.

                Então  cabrungas, erês
                fizeram  cama  em  nossas  várzeas  compridas
                xerém  parada  à  monção
                de não  restar  savana  entre  nós  dois, lagoa

               Enquanto  os  céus  amanhecem
               como  se  houvesse   Mundo.

2036

                Amigo! Irmão!
                Vou te acender  os luzeiros
                do   fim do  Mundo: novas que chegam
                pelas  asas dos pássaros,
                na espuma dos oceanos.

                História  em festa sorri:
                vai sacudir  os armários
                onde eram tantos os mortos,
                no céu rosado três águias
                levam no bico  relógios,
                perto do sol  perdem as asas
                se transformando em trombetas
                que o vento assopra sobre o deserto
                onde a mulher se esconde,
                guardando  vestes de festa
                e  muitos filhos do Hóspede______

               então  sementes de piano  Verdecerão,
               a  Virgem  trará de novo  a  Poesia
               aos  homens  Reconstruídos.

14 Estágios

                   Nasci
                   depois do tempo da  Cheia,
                   lua  estava de volta no céu. Sete indígenas sementes
                   me  Fizeram, mas tive um só Pai do Mato.

                   Da língua  Maxacali
                   trouxe  água-forte  pros olhos,
                   plantei mandioca  no corpo. Infância  'cabou
                   bem  a  Tempo: perdi  Tancredo
                   com  Todos.

                  Andei de bonde
                  no  trilho-apronto  dos cipós.
                  usei  batina e bigode, toquei trombone,
                  fagote. Quis descobrir a oitava nota,
                  não  Pude. Hoje sou mais  indigno
                  do   pó das ladeiras de Olinda:


                 ainda que lave os olhos
                 na  água das madrugadas
                 também respiro  a mistura
                 de gás e leite de lata
                 das  salas de cinema. Os mortos do Carandiru
                 me acusam de grave  crime:
                 Deixei passar o carro de  Candace
                 onde ia um raro  mordomo
                 sequioso  do  Hóspede.

                Tudo   somado  estou fora
                do grupo de dois ou três______
                Vou  pro  inferno  com o Resto.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Poema Descavernoso

                Quando nasci
                o mundo  era no Méier.
                Meu pai abriu garrafas de cerveja,
                os meus avós plantaram Sonhos
                pela casa. Minha mãe sorria,
                aquele sorriso   mais   Lindo.
                Muitos mandaram beijos, alguns mandaram
                presentes, o anjo torto  Inclusive.

               Depois cresci, caxanguei
               toquei e carreguei piano
               usei batina, bigode. Não me casei,
               nem  morri. Não fiz dinheiro
               nem filho, sei javanês
               e  fagote, leitor de grego e de
               Mulher. No futebol - Laranjeiras,
              nos tamborins - Portelense.

               Já fui feliz carbonário. Hoje  aborreço os tenórios
               sejam de esquerda, direita.
               Meu centro  é   Longe dos palanques.

               Hoje  trabalho  as palavras
               e espero ainda  adormecer  Sorrindo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Retorno

               Depois dos peitos de pedra
               dum   Nome a surgir dos túmulos
               das caravanas de Hagar sobre
               a largura da Terra_________

               O filho pródigo  retorna salvo
               sobre os cabelos das  árvores,
               ordena o canto dos corais Imensos
               traz duas esfinges pela coleira,
               anjinhos desfolham Kyries
               soprando nas ocarinas.

               Num mesmo abraço-Relâmpago
               pianos dividem o céu
               com o sopro amigo do Hóspede:

               houveram tardes, manhãs
               ximbalaiês de ternura_________
            
               E a mão de rara Poesia
               voltou a  Ser sobre os leões e os homens.