segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A Canção de Inverno (Escrito em Joinville-SC, em 10/10/2009)

         Há muito que foi  dezembro
         na cidade de New York.
         Era o princípio  do inverno
         era o final do outono, não  Importa.
         Importa mesmo
         é que mataram  John  Lennon.

         Havia neblina e fuligem das fábricas
         nas vidraças das casas, mas certamente
         ainda  haverá  Depois.
         E que meus rogos  te Alcancem,
         das profundezas  Clamo.

        Multidões  me esbarram nas ruas
        mas cada um é uma  ilha  do dr. Moreau,
        seu  grão-Deserto onde demônios grandes
        dançam sob acordes de titânio, e ninguém 
        Vê, não há ninguém

       que dialogue  com o espelho
       que  reparta ao meio  os cabelos,
       ninguém ousando um café
       na hora do rush, ninguém
       que distraído  morda uma fruta.

       E  sempre lembro John Lennon,
       morto . Lembro também  Tancredo
       morto mais  próximo, Doméstico____
       tragédia igual.

      Mas tal certeza de finitude
      é mais  elástica  do que os limites
      dum corpo, está por aí

      nos  pântanos, na água limpa  das cozinhas
      nas páginas da bíblia aberta   no oratório,
      nos hemogramas, no pão. Por onde
      meus  olhos corram  o Semeador
      saiu  a semear, o campo é o  mundo

      o  Demônio  são os outros,
      os mortos  somos Nós. À beira do grande abismo
      doze cestos de pães  e o Cristo longe das casas,
      mais  Longe
      dos  corações. Estou  à porta, Bato.
      Que  vês, filho dum  homem
      recém-escapado aos  fogos  de Cartago?

     " Meus olhos são tão carne, e Curtos
       mas são  legião, são  todo um Século.
       Vejo  três Águias  ao longe

      Ai dos que vendem meu povo
      por dez barris de petróleo
      e não contentes  extinguem  a luz
      dos olhos  das crianças, paciência do Senhor
      é  Finda.

     Vocês mataram  John Lennon
     e detonaram  a bomba do Riocentro
     eis  o sinal de Jonas, címbalo de Hefaistos
     num lago antigo."

    Meus rogos  cheguem a Ti,
    que em torno de  Patmos
    reine,  Senhora ,  a Memória. Dona nobis
    Pacem.

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